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21/02/2014
Santo Antônio desrespeita limite operacional e prejudica Jirau

Temor é que danos irreversíveis possam ser causados a casa de força da UHE Jirau; Santo Antônio contesta acusaçãoPor Wagner FreireSituação do atracadouro margem esquerda de JirauA reportagem do Jornal da Energia teve acesso a um documento em que o consórcio construtor da usina de Jirau, Energia Sustentável do Brasil (ESBR), afirma que a hidrelétrica de Santo Antônio (3.580MW) está desrespeitando o limite operacional estabelecido pelo projeto e que isso está ocasionados diversos impactos às estruturas da UHE Jirau (3.750MW). As usinas estão localizadas no rio Madeira, dentro do estado de Rondônia.A notificação, datada de 6 de fevereiro, foi endereçada ao presidente da Santo Antônio Energia, Eduardo de Melo Pinto, com copia à Agência Nacional de Águas (ANA), ao Ibama, à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e ao Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).Segundo a ESBR, a altura máxima suportada por Jirau é de 74,8 metros em relação ao reservatório da usina de Santo Antônio."As estruturas da UHE Jirau foram projetadas considerando uma cota máxima do remanso do reservatório da UHE Santo Antônio de 74,8M a jusante do barramento da UHE Jirau", detalha o documento. Esse nível de água garantiria o atendimento aos requisitos as normas técnicas brasileiras e aos critérios de projeto no que diz respeito à segurança e estabilidade de Jirau.Porém, a UHE Santo Antônio estaria operando com um reservatório que, no início de fevereiro, estaria acima do limite autorizado na licença de operação. Ao não respeitar esse limite, alega a ESBR, prejuízos estariam sendo causados ao empreendimento de Jirau."Tal fato (...) está ocasionando diversos impactos nas estruturas do empreendimento e demais existentes no canteiro de obras, incluindo infiltração na ensecadeira da 2ª fase da casa de força da margem direita e danos nos Sistemas de Transposição de Peixes, no atracadouro da margem esquerda, nos pátios provisórios de equipamentos, dentre outros", afirma a ESBR.A ESBR alerta para o perigo eminente de se causar danos irreversíveis a casa de força da margem direita, onde estão instaladas 28 unidades geradoras, caso ocorra o rompimento da ensecadeira à jusante, e consequente inundação de toda a casa de força, devido à pressão a qual não está dimensionada."Em decorrência deste eminente perigo, de forma preventiva, nossos diretores e gerentes já entraram em contato com seus gerentes e diretor para antecipar ações necessárias ao imediato deplecionamento do reservatório da UHE Santo Antônio", diz a notificação. "É extremamente necessário que a operação da UHE Santo Antônio respeite o estabelecido pelo Ibama e pela ANA, de forma a não causar impacto na UHE Jirau", completa.Esta situação traz à tona a disputa entre os dois consórcios na Aneel, em que ambos exigem o aumento da cota de seus reservatórios e o que garante, para um ou para outro, uma receita extra ao longo de suas concessões. Porém, o aumento da cota da UHE de Santo Antônio diminuiria a geração de energia da usina de Jirau.Procurada pela reportagem, a ESBR preferiu não manifestar sobre o assunto.Já a Santo Antônio Energia informa que  hidrelétrica está sendo operada na cota máxima de 70,5 metros, respeitando rigorosamente todas as condições e determinações técnicas e atendendo plenamente a Licença de Operação. "Desta forma, não existe nenhum fundamento técnico ou legal que ampare ou resguarde a afirmação da Energia Sustentável do Brasil, concessionária responsável pela implantação e operação da usina Jirau, que aponta irregularidades na operação do nosso reservatório", argumenta a companhia, em nota. A empresa diz que se coloca à disposição da Aneel, da ANA e do ONS para prestar qualquer outra informação adicional sobre sua operação.MAB acusa usinas de afetar o comportamento do Rio Madeira No último dia 13 de fevereiro foi decretado “estado de emergência” no município de Porto Velho devido às chuvas intensas e a grande cheia no rio Madeira. Com previsões de médias históricas, esta pode ser a maior enchente dos últimos 100 anos, de acordo com o prefeito, Mauro Nassif.Diversos moradores tiveram que sair de suas casas por causa do alagamento. O Corpo de Bombeiros, junto com a Defesa Civil e o Exército, continuam com trabalho intenso de retirada das famílias em áreas de risco.Além do excesso de chuvas, o Movimento dos Atingidos por Barragem (MAB) afirma que as usinas de Jirau e Santo Antonio estão afetando o comportamento do Rio Madeira“A acumulação de água nos reservatórios e o aumento da vazão dos vertedouros das usinas de Santo Antônio e Jirau potencializam os alagamentos naturais do período e mais áreas, que antes não sofriam alagamento, são atingidas”, diz o MAB. “Além disso, a velocidade e amplitude das inundações estão muito maiores, alegam moradores de todas as comunidades.”Durante a reunião sobre a situação da cheia do Rio Madeira, na quarta-feira (12/2), entre representantes de órgãos de segurança de Porto Velho, o gerente de operação e manutenção do consórcio Santo Antônio Energia, Amauri Alvarez, negou responsabilidade dos consórcios, afirmando que: "não há como comprovar construção da usina de Santo Antônio com a cheia do rio Madeira".

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