Notícias do setor
26/02/2014
Eletrobras adia venda de distribuidoras

Estatal cogitava venda de participação nas seis empresas, mas tema é considerado delicado para ano eleitoral Dívida acumulada supera R$ 938 mi, segundo dados de 2013; em 2012, saldo negativo foi de R$ 1,3 bilhão VALDO CRUZ JÚLIA BORBA DE BRASÍLIA O governo decidiu adiar para o próximo ano uma decisão que vem causando intensa especulação no setor elétrico: a venda das distribuidoras da Eletrobras. Conhecidas por serem deficitárias, as seis empresas que pertencem ao grupo acumulam uma dívida superior a R$ 938 milhões, segundo dados de 2013 --que levam em consideração apenas o período de janeiro a setembro do ano passado. Dados do último trimestre ainda não foram divulgados. Em 2012, essas empresas fecharam o ano com um saldo negativo de R$ 1,3 bilhão. Esse conjunto de distribuidoras atende consumidores do Amazonas, do Piauí, de Alagoas, de Roraima, do Acre e de Rondônia. A Eletrobras vem há anos monitorando as perdas das elétricas e chegou a incluir como meta em seu plano estratégico a "realização do saneamento e equilíbrio econômico-financeiro" dessas companhias. Além da melhoria dos serviços prestados, o objetivo é reduzir perdas de energia e índices de inadimplência. Uma consultoria, porém, foi contratada para indicar a melhor saída para resolver o rombo no caixa dessas empresas. O documento, elaborado pelo banco Santander, apontou como melhor opção a venda de todas as seis distribuidoras, de forma que a Eletrobras fique com uma participação reduzida em cada uma delas, inferior a 49%. Mas a decisão, segundo a própria Eletrobras, cabe ao "acionista majoritário", ou seja, ao governo federal --que, neste momento, decidiu por não tratar do assunto. Os contratos da maioria das empresas vencem em 2015. O adiamento está diretamente relacionado ao processo eleitoral. Para o governo, o tema é delicado e não deve ser decidido em um ano tão sensível e importante para a presidente Dilma Rousseff, segundo a Folha apurou. Além disso, como ainda são deficitárias, o governo provavelmente terá de fazer novos investimentos nessas empresas para torná-las atrativas ao mercado. No ano passado, foi investido R$ 1,6 bilhão nas distribuidoras do grupo. O reflexo, segundo a assessoria da Eletrobras, foi uma "melhora nos indicadores de qualidade de distribuição". A injeção de verba nessas empresas é praticamente obrigatória, uma vez que o próprio governo pretende renovar apenas as concessões de distribuidoras que tiverem bons indicadores de atendimento ao cliente. Enquanto a Eletrobras não melhorar os números dessas empresas, fica ainda mais difícil atrair o interesse de qualquer potencial investidor. A Eletrobras afirmou em nota que, "entre 2008 e 2013, a companhia aportou recursos de cerca de R$ 6,9 bilhões nas seis distribuidoras" e que, "diante disso, a expectativa da empresa é a renovação das concessões". (Folha de São Paulo)

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