Notícias do setor
28/02/2014
Empresas de energia eólica estão investindo R$ 10 bilhões no Piauí


Ao visitar na manhã de quarta-feira, em São Paulo, a empresa de energia eólica Casa dos Ventos, o governador Wilson Martins (PSB) afirmou que "o Sudeste do Piauí é o pré-sal da energia eólica".
A empolgação do governador Wilson Martins está relacionado com os investimentos que as empresas de produção de energia eólica irão fazer no Piauí na implantação de suas unidades, que serão de R$ 10 milhões.
A Casa dos Ventos estava planejando investir R$ 5,5 bilhões para produzir 960 megawatts e agora anunciou ontem ao governador Wilson Martins que vai produzir 3 mil megawatts, vai empregar 3 mil pessoas na sua implantação na região de Paulistana, na Chapada do Araripe; a Ômega Energia vai produzir 130 megawatts de potência com investimentos de R$ 250 milhões no litoral do Piauí; o grupo Queiroz Galvão vai investir R$ 1,6 bilhão em sua unidade de produção deenergia eólica com capacidade de 416 megawatts, também na Chapada do Araripe; a Atlantic Energia vai investir R$ 1,5 bilhão para produzir 400 megawatts, nos municípios de Lagoa do Barro e Queimada Nova; e a Vensolbras vai investir R$ 1,2 bilhão na produção de 200 megawatts em São João do Piauí.
O governador Wilson Martins vai promover uma reunião em Teresina para mostrar os investimentos que estão sendo feito no Piauí até 2017 na produção de energia solar para lembrar que na região vai precisar de hotéis, restaurantes, lanchonetes e outros serviços, que são ótimas oportunidade de negócios.
A direção da Casa dos Ventos anunciou que vai instalar seu canteiro de obras em março. Da reunião com o governador Wilson Martins em São Paulo também participou a GE, que fornece equipamentos de produção de energia eólica para a Casa dos Ventos.
O coordenador de Comunicação Social do Governo do Estado, Fenelon Rocha, afirmou que os investimentos das empresas para a produção de energia eólica representam dez vezes mais o maior investimento estatal no Piauí, a construção da Barragem de Boa Esperança, na década de 70.
O encontro com as empresas foi promovido pela Casa dos Ventos e o Governo do Estado, contando com a participação de grandes empresas como Alston, GE, Gamesa, Wabben e Ponto Global. A reunião destacou o Piauí como um dos maiores potenciais no setor de energias limpas, onde tem especial destaque a energia eólica. As projeções apontam para um aumento expressivo na produção de energia no estado, com cinco grandes projetos já aprovados.
Hoje, o Piauí tem um consumo médio de 700 Mega Watts (MW) de energia, onde a hidrelétrica de Boa Esperança responde por apenas 237 MW. Com os novos projetos, o Piauí terá um incremento de 1.300 MW no médio prazo (dois anos), devendo o incremento energético chegar a 3.000 MW em médio prazo (4 a 5 anos). A Casa dos Ventos sozinha está com projetos em desenvolvimento que somam mais de R$ 4 bilhões, somando a cerca de R$ 1,6 bi da Queiroz Galvão. O canteiro de obra da Casa dos Ventos já será instalado neste mês de março.
A escolha do Piauí se dá por um conjunto de fatores, onde se destacam as transformações que acontecem no estado, sobretudo com o fortalecimento da infraestrutura. Mas o principal fator é a condição natural, onde se destaca a região da Serra do Araripe, especialmente as cidades de Caldeirão Grande, Marcolândia, Padre Marcos, Simões, Curral Novo, Betânia, Queimada Nova, Lagoa do Barro e São João do Piauí. O litoral do estado também mostra grande potencial.
"É o pré-sal do setor eólico Este é um termo que o setor vem utilizando, em reconhecimento ao grande potencial que oferecemos e que abre novas perspectivas para o Piauí", diz Wilson Martins.
Somente o projeto da Casa dos Ventos vai gerar cerca de 3 mil postos de trabalho na fase de instalação. "Outras oportunidades surgem para diversos setores, e para empresas de todos os tamanhos", falou Wilson Martins (Portal Meio Norte, 26/2/14)Petrobras: A deteriorada é nossa - Celso MingA Petrobrás divulgou na terça-feira resultados algo melhores do que os esperados. Eles, no entanto, continuam refletindo as enormes distorções da grande barbeiragem da política econômica conduzida pelo governo Dilma.
O achatamento dos preços dos derivados de petróleo, especialmente da gasolina e do óleo diesel, a fim de conter a inflação, segue corroendo tanto o caixa da Petrobrás quanto sua capacidade de investimento.
Apesar dos reajustes de preços adotados a partir de 30 de novembro, os atrasos em relação à paridade internacional continuam em cerca de 17% para a gasolina e de 16% para o óleo diesel, e tanto maiores serão quanto mais avançarem as cotações do dólar no câmbio interno.
O consumo de derivados em 2013 se aproximou dos 2,9 milhões de barris diários. Enquanto isso, a produção (óleo mais gás) foi de 2,3 milhões. A diferença está sendo importada. A Petrobrás vem sendo obrigada a subsidiar essa parte da conta que caberia ao consumidor.
Essa política não produz apenas estragos sobre a capacidade de geração de recursos da Petrobrás. Deteriora perigosamente sua capacidade de endividamento, atrasa a construção de refinarias e afasta novos sócios, que não têm interesse em despejar bilhões de dólares em unidades de produção de derivados cujos preços seguirão achatados. Além disso, por praticar dumping na área dos biocombustíveis, essa política derruba o desempenho dos setores doaçúcar e do álcool, até agora dos mais promissores da economia brasileira. Outro estrago produzido por essa política populista de preços é a derrubada da arrecadação de impostos tanto do governo federal (por zeragem da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - Cide) como dos Estados (ICMS).
A Petrobrás tenta compensar com um pouco mais de eficiência operacional na produção de petróleo bruto (no pré-sal), no desempenho das refinarias e em desinvestimento. Apesar das declarações em contrário, não dá para assegurar que a distorção esteja sendo corrigida.
As projeções sobre produção e faturamento têm sido sistematicamente irrealistas e não será a partir de agora que se pode esperar por resultados melhores. Uma das variáveis-chave do desempenho da Petrobrás é o comportamento do câmbio. É com base nele que a empresa vai medir em reais sua dívida em moeda estrangeira, pagar suas importações e faturar o petróleo exportado. E, no entanto, a Petrobrás vai trabalhando com uma cotação média do dólar em 2014 fortemente rebaixada (algo entre R$ 2,24 e R$ 1,92). São números fortemente destoantes. O Banco Central, por exemplo, definiu sua política de juros básicos (Selic) em janeiro pressupondo a "manutenção da taxa de câmbio em R$ 2,40". O mercado auscultado pela Pesquisa Focus do Banco Central projeta média anual de R$ 2,45 e R$ 2,50 ao final de 2014. Por aí se vê que importantes projeções de desempenho da Petrobrás em 2014 parecem prejudicadas.
Se o governo Dilma está determinado a recuperar a confiança na sua política econômica, não pode permitir que o valor da Petrobrás continue a se deteriorar tão fortemente (O Estado de S.Paulo, 27/2/14)

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