A estiagem de fevereiro gerou uma conta de R$ 3 bilhões a R$ 3,5 bilhões para as distribuidoras de energia elétrica. O Valor apurou que esses números foram calculados preliminarmente pelo setor privado e transmitidos ao governo. O custo decorre do acionamento a todo vapor das usinas térmicas e da exposição involuntária das próprias distribuidoras. Elas não conseguiram contratar todo o suprimento de eletricidade nos leilões do governo e precisam comprar 3.500 megawatts (MW) médios no mercado de curto prazo.Em janeiro, a conta já havia sido de R$ 1,8 bilhão, o que eleva o custo no ano a mais de R$ 5 bilhões. Pelas regras atuais, as distribuidoras são obrigadas a assumir essa despesa, mas o montante elevado por levá-las à insolvência. Por isso, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) concordou em adiar a apresentação de garantias financeiras pelas distribuidoras para o dia 11 de março, enquanto o governo ainda discute uma solução. Para tratar do caso, a presidente Dilma Rousseff reuniu-se ontem com o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o secretário do Tesouro, Arno Augustin.No ano passado, o Tesouro assumiu integralmente esses custos, que somaram R$ 9 bilhões. Em 2014, as distribuidoras voltariam a arcar com as despesas, repassando posteriormente os gastos para as tarifas. O que se discute no governo é se o Tesouro assumirá novamente a conta ou permitirá que as tarifas subam. O Valorapurou que o decreto que torna possível o pagamento parcial ou total pelo Tesouro em 2014 será reeditado. Mas a decisão sobre quanto será pago ainda está em discussão.A ampliação da energia entregue pelas usinas térmicas, que atualmente trabalham a plena carga, está comprometida. A partir de informações da Aneel, o Valor verificou a situação em que se encontram os projetos de expansão dessa matriz energética. O cenário é ruim. Entre 2014 e 2020, 6.942 megawatts (MW) deveriam ser adicionados, com usinas a carvão, gás e óleo. Porém, um terço dessa energia (2.341 MW) não tem mais previsão para sair do papel. Outros 1.020 MW estão em situação de risco, com restrições para entrar em operação (Valor, 7/3/14)
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