Notícias do setor
17/03/2014
Para especialistas, financiamento não resolve exposição involuntária

 
Atuação da CCEE como captadora de financiamento causou estranheza em especialistas. Eles alertam que preço definirá êxito do leilão A-0Pedro Aurélio Teixeira, da Agênica CanalEnergia, Regulação e Política 14/03/2014 A decisão do governo em fazer uma ajuda financeira de R$ 12 bilhões para cobrir a exposição involuntária das distribuidoras foi classificada  por especialistas ouvidos pela Agência CanalEnergia como uma saída econômico-fiscal do governo em um momento que ele deveria tomar uma solução que contemplasse o aspecto energético. Para eles, a solução só resolve a exposição de maneira parcial e não supre o principal problema, que está na falta de energia. "Estamos tentando resolver os problemas parcialmente, nenhuma medida para a redução de consumo foi proposta, só medidas financeiras", afirma Roberto D'Araújo, diretor do Instituto Ilumina.
Outra medida que causou estranheza em D'Araújo foi a captação no mercado de R$ 8 bilhões que a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica  vai fazer em favor das distribuidoras. Segundo ele,  a CCEE é uma intermediária de contratos e não possui ativos. Para ele, poderia haver um questionamento jurídico da operação. Já para Ricardo Savoia, da Thymos Energia, o fato do anúncio ter sido feito por toda a cúpula do setor elétrico, mais o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin e do ministro da Fazenda, Guido Mantega, reforça que ela não deve ter problemas de aprovação no âmbito da CCEE e deve ser executada com celeridade.Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro para a Infraestrutura,  também cita o aspecto fiscal do anúncio e ressalta o caráter intervencionista do governo. Ele acredita que os recursos da captação acabem sendo de bancos públicos como o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal. Érico Brito, da Excelência Energética, acredita que o governo deveria ter assumido a autoria  da captação e não repassá-la para a CCEE. "Essa atribuição nova para a CCEE é um perigo. Não é saudável para uma empresa que cuida de liquidações gerenciar mais contas que ela gerencia", observa.Brito acredita que o leilão A-0 programado para abril foi criado para que o anúncio não fosse feito apenas de medidas financeiras. Para ele, os preços para esse leilão deverão ser muito mais altos do que os usualmente praticados pelo governo. Ele aposta ainda que a contratação será pequena e que o Tesouro continuará aportando recursos para as distribuidoras. Para Savoia, da Thymos, esse leilão será importante e o preço será fundamental para o seu êxito, uma vez que nos anteriores que resultaram em insucesso, o governo colocou preços bem baixos, mas não havia o cenário atual de incertezas. Já Adriano Pires acredita que o governo vai obrigar a Petrobras a participar do leilão.Sem saber quanto tempo a seca dos reservatórios vai durar, Roberto D'Araújo critica o volume de cotas criado com a Lei 12.783 e diz que isso aumentou a exposição das distribuidoras. "Nenhum lugar do mundo a energia é distribuída por cotas", observa. O atraso crônico no início da operação de usinas foi citado por Ricardo Savoia como outro fator que afeta a conjuntura do setor. "Temos quase dois anos de atraso de não entrada nos cronogramas, isso também afeta o preço", ressalta.O ano eleitoral também pode influenciar em todo esse movimento. Para Érico Brito, embora esteja definido que haverá um repasse para o consumidor, ele alerta que um novo governo pode tomar outra decisão e acabar arcando com todo o custo. “Continuamos ao sabor de uma decisão que pode mudar com a sucessão. Ela pode mudar com outro governo", explica.

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