Exposição das distribuidoras está próxima a 3GW médios, segundo diretor da EPEPor Natália BezuttiA nova aposta do governo para ajudar as distribuidoras de energia é a realização de um leilão A-0, previsto para ser realizado em 25 de abril. O sucesso do certame é esperado com a apresentação de contratos de longo prazo e preços mais baixos, levando em consideração a experiência no A-1, realizado em dezembro de 2013, que não obteve a contratação desejada.De acordo o diretor Estudos de Energia Elétrica da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), José Carlos Miranda, a conta feita pelo governo da exposição involuntária das companhias está muito próxima a 3GW médios - abaixo dos 3,7GW médios apontados pelo mercado. Apesar de ter uma base sobre a oferta para contratação no certame de abril, Miranda prefere não revelar a estimativa.“Fizemos um levantamento e sabemos que algumas empresas não venderam energia no ultimo leilão (A-1) porque o prazo do contrato foi considerado curto. Então (para o A-0) será um prazo de contrato maior e, eventualmente, o preço será mais atrativo, na medida em que as empresas liquidam hoje (no mercado de curto prazo) a um PLD de R$822,23/MWh”, esclarece.O diretor ainda explica que a tendência é de que o preço da liquidação das diferenças (PLD) comece a cair a partir de junho e julho, uma vez que a energia gerada de muitos parques eólicos começará a entrar no sistema ao longo do ano, além da motorização das turbinas das hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, reduzindo o valor no mercado de curto prazo para os próximos cinco anos, a partir de 2015.“Por isso, quem tem energia e não vendeu no A-1, certamente poderá ser atraído para este leilão. E nós achamos que isso vai acontecer. A ideia é de que o produto em termos de prazo e preço seja atrativo”, conclui Miranda.AjudaOs ministérios da Fazenda e de Minas e Energia anunciaram na quinta-feira (13/03) um pacote de socorro às distribuidoras. Entre as soluções apresentadas, está a criação de uma nova conta, a ser operacionalizada pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), cujos recursos - R$8 bilhões - serão captados junto ao mercado e emprestados às empresas, além de um aporte extra de R$4 bilhões do Tesouro Nacional e a realização de um leilão A-0 em abril.O governo já havia repassado em 11 de março cerca de R$1,2 bilhão para as concessionárias com o intuito de cobrir a liquidação das obrigações de janeiro de 2014 no mercado de curto prazo junto à Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).O salvamento às distribuidoras garante também um "alívio" para o consumidor, pelo menos em 2014. O equacionamento tarifário ainda não foi definido, mas prováveis reajustes só acontecerão a partir de 2015.
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