Notícias do setor
17/03/2014
Equipe econômica queria implantação das bandeiras tarifárias em 2014

 De acordo com ex-diretor Edvaldo Santana, pedidos de distribuidoras e correção de falhas técnicas, porém, fizeram agência postergar implantação para o próximo ano Por Maria DominguesA equipe econômica do governo queria a todo custo a implantação das bandeiras tarifárias dentro do prazo inicialmente previsto, ou seja em janeiro deste ano. A sistemática, que prevê que o consumidor tenha um indicativo do custo da energia, em função das condições de geração, foi postergada para o início de 2015.Pelo seu caráter indicativo, que permite que o consumidor planeje seu uso de energia elétrica de forma eficiente, de modo a pagar menos tarifa, as bandeiras tarifárias poderiam, de certa forma, ajudar na redução da demanda, em um momento de crise hidrológica, com o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) alcançando o teto há várias semanas. Uma nova mudança nesse prazo, com a entrada em vigor imediata, chegou a ser especulada pelo mercado, mas acabou não integrando o pacote de salvamento às distribuidoras, anunciado nesta quinta-feira (13/03) pelos ministérios da Fazenda e Minas e Energia.De acordo com o ex-diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) Edvaldo Santana, todos os membros do colegiado da agência receberam ligações de membros da equipe econômica para pedir a aprovação da medida. Entre as empresas do setor, porém, houve uma divisão. As distribuidoras expostas involuntariamente, que estão tendo que ir ao mercado spot comprar energia ao preço de PLD, também lutavam pela implantação. O acionamento das bandeiras vermelhas e amarelas representariam um aumento de R$3 e R$1,50 para cada 100 kWh consumidos, o que poderia trazer um certo alívio ao caixa das distribuidoras.Do outro lado estavam algumas empresas com a exposição equalizada - o Grupo Neoenergia foi citado -, que temiam aumento da inadimplência acarretado pelo aumento do preço da energia em situações de bandeira amarela e vermelha. Para a agência reguladora, porém, prevaleceu o argumento técnico. "O adiamento foi causado porque existe um erro, que prevê que o consumidor pague pelo despacho térmico mesmo que essas usinas não sejam acionadas", ressaltou.Frear o consumoDurante o evento Agenda Setorial 2014, realizado nesta quinta-feira (13/03), no Rio de Janeiro, muito se falou sobre a ausência de alertas por parte do governo sobre o uso consciente de energia elétrica neste momento de crise hidrológica. Santana afirmou que as distribuidoras são livres para fazerem esse aviso à população.A postura da Sabesp, empresa de abastecimento e saneamento de São Paulo, que faz constantes alertas à população e criou um programa de bonificação para quem economiza água foi bastante elogiada.

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