Notícias do setor
18/03/2014
Analistas financeiros apontam preço do A-0 como fundamental para sucesso de medidas


Análise é de que o pacote da semana passada é potencialmente positivo e que ainda há muitas dúvidas a serem respondidasMauricio Godoi, da Agência CanalEnergia, de São Paulo, Negócios e Empresas 17/03/2014 O ceticismo demonstrado pelas associações na semana passada é o mesmo no mercado de capitais. As dúvidas acerca de como serão definidas as regras sobre o pacote de salvamento das distribuidoras colocam diversas interrogações sobre o assunto. Apesar do aporte bilionário por meio das duas frentes de ajuda, as análises apontam para efeitos apenas potencialmente positivos para o setor.O desempenho do IEE na BM&FBovespa vem refletindo essa desconfiança do mercado. Tanto que o indicador passou nos últimos três meses de uma máxima de 26.800 pontos em 19 de dezembro, para 22.300 pontos ao fechamento desta segunda-feira, 17 de março. A mínima nesse período ficou em 21.750 pontos em 10 de março.A redução da pressão sobre o fluxo de caixa das concessionárias de distribuição é o ponto mais importante para o segmento. Contudo, explicou o analista Lenon Borges, da Ativa Corretora, há ainda alguns fatores que ainda podem não ser bem sucedidos e trazem risco de comprometer o sucesso desse plano. "Um deles é o leilão de energia A-0 que será realizado em abril para tentar cobrir a exposição involuntária das distribuidoras ao mercado spot", indicou ele, que lembrou ainda do A-1 de dezembro do ano passado e da falta de interesse de geradores em fechar acordos a preços que chegavam a R$ 190 por MWh.De acordo com o analista William Alves, da XP Investimentos, o preço do leilão é um ponto central para o plano. Segundo ele, um preço de venda de R$ 300 por MWh seria um patamar mais adequado para os geradores optarem pelo leilão ao invés de ficar expostos ao mercado spot. Esse valor, ressaltou ele, é apenas um chute mas tem base no momento do setor elétrico com o PLD no teto de R$ 822,83 por MWh. "O gerador não quer ficar exposto ao mercado spot, mas o valor do contrato tem que ser bem mais acima do que os R$ 190 por MWh", acrescentou.Borges, da Ativa, concorda que o preço deverá estar em um patamar bem mais elevado e com prazos mais longos, conforme planeja o governo. Contudo, diz que empresas como Cemig, Copel e Cesp, que não renovaram os contratos de concessões de UHEs no início de 2013, deverão continuar a apostar no MCP. "Por enquanto vale mais a pena continuar despachando no spot", disse.

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