Preço-teto a ser definido para o certame será crucial para atrair geradores, segundo agentesCarolina Medeiros, da Agência CanalEnergia, Operação e Manutenção 18/03/2014 A Petrobras poderá ser a principal ou até a única ofertante do leilão A-0, previsto para acontecer no dia 25 de abril. O certame faz parte do pacote anunciado na semana passada pelo governo para tentar abrandar o cenário pelo qual passa o setor elétrico, reduzindo a exposição involuntária das distribuidoras, ou seja, a quantidade de energia que elas precisam comprar no mercado de curto prazo. Nesse mercado spot, essas concessionárias vem pagando o preço-teto pela energia, que é de R$ 822,83/MWh.A estatal tem entre 1,5 GW médios e 2 GW médios de térmicas sendo vendidos no mercado livre, que poderiam ser revertidos ao ambiente de contratação regulado através do leilão e assim, cobrir grande parte da exposição involuntária das distribuidoras, que é de cerca de 3,5 GW médios. A questão é se o preço-teto a ser fixado para o certame será atraente para a Petrobras. Alguns agentes do mercado avaliam que a estatal pode acabar sendo obrigada a vender sua energia descontratada no certame, garantindo assim o sucesso do leilão. Questionada se teria energia descontratada e se pretendia participar do leilão, a Petrobras disse que não comentaria o assunto."Vejo dois cenários para esse leilão. Um de fiasco, como foram os anteriores, não aparecendo ninguém, e outro, que é mais provável, de que o governo vai acabar obrigando a Petrobras a vender energia no leilão a um preço mais barato do que ela está vendendo no mercado livre", analisou Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura. O presidente da Empresa de Pesquisa Energética, Maurício Tolmasquim, já havia dito à Agência CanalEnergia, que o leilão contará com um produto por disponibilidade e que a meta é incentivar o gerador termelétrico a participar do certame. Sem dizer quais seriam as usinas descontratadas, Tolmasquim contou que elas já estão mapeadas.Das usinas a óleo, Marco Antônio Veloso, presidente da Associação Brasileira de Geração Flexível, conta que, até onde ele sabe, estão praticamente todas contratadas. "Conheço uma que tem 30 MW que podem estar descontratados. Mas para atrair geração térmica a óleo de um agente privado, o preço tem que ser superior a R$ 400/MWh", observou Veloso. Outra opção seria atrair o setor sucroalcooleiro para o leilão. Walfrido Ávila, presidente da Trade Energy, diz que dependendo das regras e, obviamente, do preço, alguma energia desse segmento pode aparecer no A-0."Esse setor deve ter um volume bastante interessante para vender ao mercado regulado, mas vai depender das regras que serão colocadas e também do preço-teto estipulado", avaliou Ávila. Uma mudança de regra na forma de entrega da energia é defendida pelo gerente de bioeletricidade da União da Indústria da Cana-de-Açúcar, Zilmar de Souza. Segundo ele, no leilão A-1, que aconteceu em dezembro do ano passado, algumas usinas a biomassa tinham interesse em participar, mas a entrega de energia se dava de acordo com o perfil da distribuidora e não da geradora, que nesse caso, passa pelo período de entressafra, quando sua geração é bastante reduzida. Na ocasião, os usineiros tinham disponível 132,9 MW médios."A primeira regra principal que teria que ser mudada para atrair a biomassa, além do preço, seria a questão do período de entrega. Não adianta nada fazer um produto de disponibilidade que não reflita a possibilidade do gerador entregar a sua curva de geração, que no caso da biomassa se dá durante a safra, que vai de abril a novembro", explicou Souza. Além do preço e da flexibilidade de regras, um outro ponto que pode atrair competidores para o leilão é a diversificação de produtos. Mikio Kawai Jr., diretor Executivo da Safira Energia, avalia que deveriam ser oferecidos produtos com suprimento para cada ano em separado - 2014, 2015, 2016 e 2017, por exemplo - e um produto que supra todo o período."Quanto maior o prazo de suprimento, menor o preço. No curto prazo, esse preço é o teto. Agora, jogando para frente, ele pode ficar em R$ 500/MWh, 600/MWh para esse ano, por exemplo", calculou. Ele avalia que com vários produtos e preços-tetos diferenciados, o governo conseguiria estimular o vendedor a participar. No caso das hidrelétricas, a maior parte da descontratação está nas empresas que não aderiram a renovação das concessões, no caso Cesp, Cemig e Copel. Só que elas não podem vender energia além de 2015, prazo que encerra a concessão das usinas.
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