Presidente da associação afirma que existe um montante significativo de energia térmica disponível
Sueli Montenegro, da Agência CanalEnergia, de Brasília, Negócios e Empresas
02/04/2014
Assim como no primeiro leilão emergencial de energia velha autorizado pelo governo no ano passado, o preço-teto e o período de contratação serão as variáveis fundamentais no resultado do A-0 marcado para o próximo dia 25. "O preço e o prazo é que vão definir", acredita o presidente da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica, Nelson Leite, que aposta na participação de outros empreendimentos além das hidrelétricas antigas que estão fora da cotas ou que tenham alguma sobra de energia.
"Hidráulica não sei o montante, mas térmica tem um montante muito significativo que pode entrar", disse o executivo à Agência CanalEnergia, após audiência pública na Câmara dos Deputados. Além das térmicas tradicionais, Leite avalia que usinas do tipo merchant, que hoje liquidam energia no mercado por quantidade, podem negociar contratos por disponibilidade.
No primeiro semestre de 2013, o governo tentou sem sucesso reduzir a exposição das distribuidoras com a compra de energia no mercado de curto prazo com um primeiro leilão emergencial de energia existente. Em 17 de dezembro, foram contratados no leilão A-1, 2.571 MW médios, para fornecimento a partir de 1º de janeiro de 2014. Sobraram, porém, mais de 3 mil MW médios descontratados.
Leite explicou na Comissão de Minas e Energia da Câmara que a energia existente vendida no leilão A-1 de dezembro do ano passado saiu a um preço médio de R$ 177/MWh, mas o gasto com a compra de energia reconhecido na tarifa está em média em R$ 110/MWh. Para o presidente da Abradee, o negócio de distribuição não se sustenta nessas bases, pois uma parte significativa da energia necessária para abastecer o mercado hoje é comprada no curto prazo a R$ 822,83/MWh, que é o Preço de Liquidação das Diferenças.
Além da exposição involuntária provocada pela descontratação, as distribuidoras tem o custo adicional da compra de energia térmica mais cara dos contratos por disponibilidade. No ano passado, o impacto no caixa das empresas seria de R$ 9,6 bilhões, para um Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de R$ 9,3 bilhões. Esse valor foi coberto com recursos da Conta de Desenvolvimento Energético.
Para Leite, o uso de recursos do Tesouro para abastecer a CDE não é um socorro às distribuidoras, porque eles sequer vão entrar no caixa das empresas. "Precisamos ter mais térmicas na base, térmicas com um custo menor, de forma que a gente não fique sofrendo numa situação como essa", afirmou aos deputados.
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