A Eletrobras, que teve um prejuízo de R$ 6,3 bilhões no ano passado, poderia ter obtido receita extra de R$ 19 bilhões se não tivesse aderido, em dezembro de 2012, à proposta de prorrogação antecipada das concessões de geração e transmissão de energia. A estatal teria sido beneficiada pela venda de energia a preços elevados no mercado de curto prazo.
O cálculo foi apresentado pelos membros independentes do conselho de administração da Eletrobras, Marcelo Gasparino e João Antônio Lian, em carta enviada à presidente Dil- ma Rousseff e ao presidente do conselho da estatal, Márcio Zimmermann.
No documento, os conselheiros enumeram 17 iniciativas para resgatar a empresa, cujo valor de mercado caiu de R$ 16,5 bilhões, em abril de 2004, para R$ 10,8 bilhões hoje, período em que o Índice de Energia Elétrica da Bovespa subiu 310%. Gasparino calcula que a estatal terá de receber aporte de pelo menos R$ 10 bilhões neste ano para sobreviver.
O conselheiro confirmou que um estudo encomendado pela estatal ao Santander sugeriu a venda dos 51% de participação da empresa nas suas seis distribuidoras, tornando-se minoritária nas companhias. Procurado pelo Valor, o Ministério de Minas e Energia, informou que a proposta ainda não foi levada à votação do conselho.
Gasparino e Lian votaram contra as demonstrações financeiras de 2013, discutidas na reunião do conselho na semana passada, quando foi aprovado o balanço com prejuízo de R$ 6,2 bilhões - o segundo pior resultado de uma companhia aberta no ano passado, atrás apenas da ex-OGX, que teve prejuízo de R$ 17,4 bilhões. Segundo Gasparino, as demonstrações foram apresentadas apenas no momento da reunião e continham mais de 300 páginas, tornando inviável sua análise naquele momento. A Eletrobras contratou a consultoria Roland Berger para elaborar um estudo sobre a reestruturação do grupo, trabalho que deve ser concluído em junho (Valor, 4/4/14)
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