Vendedores ofertam energia com descontos acima no normal como forma de evitar risco de inadimplência no MCP
Mauricio Godoi, da Agência CanalEnergia, de São Paulo, Mercado Livre
11/04/2014
O momento de incerteza no mercado elétrico está se refletindo no preço da energia negociada no mercado livre. Apesar do valor do Preço de Liquidação das Diferenças estar no teto estabelecido pela Agência Nacional de Energia Elétrica, a negociação vem apresentando deságios que podem alcançar a casa de R$ 50 por MWh.
De acordo com a análise do presidente da Sol Energia, Paulo Cezar Tavares, esse fator reflete a dúvida do mercado quanto a inadimplência do setor. Ele utilizou os dados mais recentes publicados pelo Balcão Brasileiro de Comercialização de Energia (BBCE), onde a empresa que preside é uma das sócias.
Em sua apresentação no seminário sobre comercialização de energia elétrica, em São Paulo, ele citou que o deságio normal ficaria em um patamar de R$ 4 a R$ 6 por MWh ao se utilizar o CDI como parâmetro de custo financeiro. Contudo, esse pico de deságios tem relação direta com a incerteza do mercado onde os vendedores preferem dar um desconto sobre o valor da energia no MCP ao invés de ficar exposto ao risco da inadimplência do mercado.
Tavares se mostrou crítico ao momento pelo qual passa o setor elétrico. Para ele, esta é a pior crise que passamos na história do país. "Eu nunca vi o setor tão desorganizado", disparou. Entre os fatores que destacou estão desde a lei 12.783, a falta de isonomia entre o ACR e ACL quanto a destinação das cotas de energia, a adoção e as regras que serão implementadas pela portaria 455, a CNPE 03 e a consequente judicialização que se tem visto. Segundo ele, a 455 também levará à busca pelo Judiciário para manter as regras dos contratos existentes no ACL.
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