Conta considera a compra de 3,3 GWmed pelas distribuidoras ao valor de R$ 271/MWh
Sueli Montenegro, da Agência CanalEnergia, de Brasília, Negócios e Empresas
15/04/2014
O consumidor pode ser beneficiado com uma redução em torno de R$ 10,5 bilhões no custo da energia entre maio e dezembro deste ano, caso haja oferta suficiente para atender a necessidade de contratação de 3,3 mil MWmédios das distribuidoras no leilão A-0 do próximo dia 30. O cálculo leva em conta a diferença entre o preço-teto de R$ 271 por MWh, definido para os contratos por quantidade de empreendimentos hidrelétricos e o Preço de Liquidação das Diferenças, caso este se mantenha no limite de R$ 822/MWh até o final do ano.
Esse cenário favorável também diminuiria o aumento esperado na tarifa de energia para 2015, considerando que para cada R$ 1 bilhão de gasto adicional há o acréscimo de um ponto percentual na tarifa. A energia negociada no leilão pode substituir total ou parcialmente o que tem sido comprado pelas distribuidoras no mercado de curto prazo.
Cauteloso em relação ao resultado do certame, o diretor geral da Agência Nacional de Energia Elétrica, Romeu Rufino, prefere não fazer cálculos. "Partindo do pressuposto do que está custando para o consumidor aquela parte de energia descontratada, qualquer coisa que for contratada abaixo do PLD gera economia", disse Rufino em entrevista coletiva nesta terça-feira, 15 de abril.
O diretor considerou razoável o valor de R$ 271/MWh dos contratos por quantidade e de R$ 262/MWh para o produto por disponibilidade, porque o certame alia, segundo ele, dois aspectos importantes que são preço e prazo. Questionado sobre as expectativas do mercado de que o preço máximo do leilão chegasse a R$ 350/MWh, Rufino disse que o mercado tem suas avaliações, mas "quem definiu o preço teto foi o ministério. Certamente eles estudaram e definiram o assunto e tem lá seus elementos", disse.
Da mesma forma que em um cenário hipotético totalmente favorável, em uma situação inversa, em que não ocorra a negociação de energia no A-0, a solução para bancar o custo da energia deve ser o aumento dos emprestimos às distribuidoras, por meio da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica. Ajustado para R$ 11,2 bilhões, o valor final dessa captação vai depender da quantidade de energia contratada no dia 30 e do valor do próprio PLD ao longo do ano.
A resolução homologatória 1710, com a aprovação do edital do leilão, foi publicada em edição extra do Diário Oficial desta terça-feira, 15, junto com o aviso de licitação. Pelas regras, o edital tinha que ser publicado 15 dias antes da realização do certame.
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