Notícias do setor
17/04/2014
Leilão A-5: CVU de R$ 250/MWh pode viabilizar térmicas a GNL

Novo limite para a habilitação ao certame marcado para setembro poderá marcar a entrada de usinas a gás com a importação do combustível

Mauricio Godoi, da Agência CanalEnergia, de São Paulo, Planejamento e Expansão
16/04/2014

As regras do leilão A-5 divulgadas nesta quarta-feira, 16 de abril, podem abrir espaço para os projetos térmicos a GNL. O sinal que o governo deu para o mercado sobre o assunto está no valor do Custo de Valor Unitário de R$ 250 por MWh que é o limite para a habilitação de projetos térmicos ao certame. No último leilão A-5 desse tipo o CVU era de R$ 110 por MWh.

Na avaliação do presidente da Associação Brasileira do Carvão Mineral, Fernando Luiz Zancan, com esse patamar de CVU o governo abre a possibilidade da entrada maçiça de gás importado. Ele lembra que no ano passado a reclamação do segmento de geradores a gás era justamente por conta do baixo valor do CVU. Com isso, afirmou, a fonte pode ganhar força para fechar contratos com as distribuidoras e como o capex é menor, pode pressionar a situação para o carvão mineral também. Mas lembra que ainda é muito cedo para falar em competitividade, pois é necessário que se conheça o preço-teto que será estabelecido.

Aliás a questão do preço-teto mais elevado continua a ser uma das reivindicações da entidade que representa a indústria sucroalcoleira, a Única. De acordo com gerente de bioeletricidade da entidade, Zilmar de Souza, o governo precisaria separar os tipos de geração térmica e a realização de um leilão específico para que se aproveite o potencial da biomassa. Ele lembra que há 220 usinas que poderiam produzir energia depois de realizar um retrofit nas plantas. Contudo o preço de R$ 144 por MWh no último A-5 afastou os investidores.

"Esse investimento tem que ser pago pela própria venda de energia e ao patamar de preços do leilão passado não é possível", afirmou. " A biomassa é muito heterogênea, não dá para estabelecer um preço padrão para o segmento, mas olhando o passado no leilão de energia de reserva e atualizando aquele preço teríamos algo na casa de R$ 220 por MWh", estimou ele que pediu ainda que a EPE utilize o critério de ICB mais realista quando avaliar quanto uma térmica será operada, pois as centrais a carvão mineral e a GNL acabam sendo mais competitivas.

De forma geral, o presidente da Associação Brasileira de Geradoras Termelétricas, Xisto Vieira Filho, diz que o momento para o setor ainda passa justamente pela questão do preço. Além disso, há muita penalização para o investidor e poucos sinais de incentivos.

Ele avalia que a questão do combustível nos leilões é um ponto que precisa ser estudado mais e que investimentos da Petrobras em plantas de regaseificação de GNL é uma estratégia acertada e que o combustível precisa ter um tratamento especial por parte dos órgãos reguladores para que o país possa ter mais térmicas operando na base para dar segurança ao setor elétrico. Segundo o executivo, ainda dá tempo para que o setor possa investir e usinas a movidas ao GNL possam entrar nesse certame marcado para 12 de setembro.

Para o segmento eólico a novidade está na elevação da possibilidade de se alterar o projeto em até 10% da sua capacidade. Na verdade, explicou a presidente executiva da Associação Brasileira da Energia Eólica, Élbia Melo, essa era a situação que vigorava até o A-3 que será realizado em junho deste ano. Acontece que o governo mudou esse percentual para apenas 4%. A entidade atuou e pediu que esse ponto fosse revisto, fato que ocorreu.

Élbia explicou que parques eólicos têm essa natureza de alterar o projeto e é importante para o investidor ter margem para a manobra. "Inclusive, levando até mesmo à troca de fornecedores para um empreendimento", destacou. A margem é mais importante ainda no A-5, lembrou a executiva, um leilão onde podem ser lançadas máquinas mais modernas e de maior capacidade que podem ser mais adequadas para projetos.

 

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