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17/04/2014
Angra 3 pode sofrer novo atraso no cronograma

Mais de dois meses depois do resultado da licitação bilionária dos serviços de montagem eletromecânica da usina nuclear de Angra 3, a Eletronuclear, dona do empreendimento, ainda não assinou os contratos com os consórcios vencedores. Segundo pessoas ligadas ao projeto, o atraso na assinatura dos contratos pode afetar o já prejudicado cronograma da usina, que está prevista atualmente para entrar em operação em maio de 2018.

O Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor , apurou que a demora na assinatura dos contratos se deve a uma decisão do diretor de Geração da Eletrobras, Valter Cardeal, de rever a proposta dos consórcios e se reunir novamente com as empresas, para tentar reduzir o custo dos serviços, mesmo após a fiscalização pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Considerado homem de confiança da presidente Dilma Rousseff, Cardeal adotou atitude semelhante anteriormente com relação a contratos da hidrelétrica de Belo Monte. Procurada, a Eletrobras não se pronunciou sobre o assunto.
A Eletronuclear, por sua vez, informou que não houve impacto no cronograma de implantação de Angra 3. "O início da operação comercial da usina continua previsto para maio de 2018. Em relação à licitação da montagem eletromecânica, informamos que o processo de contratação está seguindo os devidos trâmites burocráticos e os contratos deverão ser assinados em breve", informou a companhia, em nota.
O Valor apurou que a assinatura dos contratos já foi aprovada em reunião da diretoria executiva da Eletronuclear e que, após superado o impasse na diretoria da Eletrobras, será apreciada em reunião do conselho de administração da subsidiária na próxima semana. O conselho é presidido pelo diretor financeiro e de relações com investidores da Eletrobras, Armando Casado.
O resultado da licitação dos serviços de montagem eletromecânica foi anunciado pela Eletronuclear no início de fevereiro. O consórcio Angra 3, formado por Empresa Brasileira de Engenharia (EBE), Techint e Queiroz Galvão, fará os serviços associados aos sistemas nucleares, no valor de R$ 1,36 bilhão. Já o consórcio UNA 3, composto por Andrade Gutierrez, Norberto Odebrecht, Camargo Corrêa e UTC Engenharia, foi selecionado para as montagens dos serviços convencionais, por R$ 1,75 bilhão.
"Se a liberação não for tomada imediatamente, vai ter impacto no cronograma da usina", afirmou o diretor-presidente da Associação Brasileira para Desenvolvimento das Atividades Nucleares (Abdan), Antonio Müller.
De acordo com o primeiro Plano Decenal de Energia (PDE), feito pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), com horizonte 2015, Angra 3 estava prevista para iniciar a operação em dezembro de 2012. Já no PDE com horizonte 2020, o prazo para a entrada em operação da usina passou para janeiro de 2016. A previsão mais recente, segundo o PDE 2022, é maio de 2018.
O investimento na construção da usina também mudou. No PDE até 2020, a previsão de investimento total era de R$ 10 bilhões. O valor atual é de R$ 13,9 bilhões. Segundo a Eletronuclear, o aumento se deve à atualização monetária e aos maiores investimentos socioeconômicos e ambientais necessários para atender as condicionantes do licenciamento ambiental do empreendimento.
A Eletronuclear também informou ontem que o ex-assessor da presidência Leonam Guimarães foi escolhido pelo conselho de administração para assumir a diretoria de Planejamento, Gestão e Meio Ambiente da companhia. Ele substitui Pérsio Jordani (Valor, 17/4/14)

 

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