País deverá enfrentar problemas até 2015, mas governo pode reverter situação ao adotar medidas que incentivam a geração nos próximos anos
Mauricio Godoi, da Agência CanalEnergia, de São Paulo, Regulação e Política
29/04/2014
O setor elétrico vive um momento crítico em 2014, segundo a avaliação do presidente executivo da Associação Brasileira de Companhias de Energia Elétrica, Alexei Vivan. O cenário pelo qual passa o país atualmente deverá se manter até o ano que vem, uma vez que a perspectiva é de que teremos que conviver com os reservatórios em níveis abaixo do desejado e consequentemente com mais geração térmica e preços altos para a energia.
Na avaliação do executivo é justamente em momentos como este que surgem as oportunidades. E no horizonte até 2019, diz ele, a visão da entidade é de que o governo tenha a percepção de que essa realidade atual é consequência de investimentos insuficientes em geração.
"Temos visto declarações de representantes do governo Dilma no sentido de agilizar e simplificar os licenciamentos ambientais para a construção de usinas", disse Vivan. "Imaginamos nos próximos anos que teremos leilões por fontes específicas para agilizar a entrada da energia solar e facilitar o licenciamento das eólicas e, ao mesmo tempo a Aneel envolvida diretamente nas discussões com órgãos de meio ambiente para definir atuação junto aos órgão e destravar investimentos em PCHs", exemplificou Vivan.
De acordo com o executivo, apesar de não admitir o governo tem dado sinais de que percebeu a dificuldade que as alterações implementadas pela MP 579 causou no setor. Em sua avaliação, a questão de se ter maior ou menor intervenção nos próximos anos é difícil de se prever. O importante é que o governo percebeu que é necessária uma prévia discussão com os agentes do setor.
Aliás, falta de discussão é um dos pontos que ele ataca no atual governo. E cita que a MP representou o retorno a uma política de concessão pelo custo e não pelo preço e foi tomada sem ouvir o setor elétrico. Vivan é um dos palestrantes do Painel Mercado da 11ª Edição do Encontro Nacional dos Agentes do Setor Elétrico, que acontece nos dias 6 e 7 de maio, no Rio de Janeiro e tem como tema "Setor Elétrico Brasileiro - uma visão 2014/2019". O Enase é copromovido pelo Grupo CanalEnergia e 16 associações representativas do setor.
A fonte eólica, disse o presidente executivo da ABCE, deverá continuar com o sucesso dos últimos anos e a solar sairá do papel. Contudo, disse, não podemos esquecer que o sistema brasileiro é hidrotérmico e investimentos em hidrelétricas ainda são os mais importantes. Se este não for feito, sobrará para as térmicas. "Ou o país avança no segmento termelétrico ou repensa a volta das apostas nas hidrelétricas com reservatórios e seus percalços ambientais", finalizou.
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