Notícias do setor
30/04/2014
A-0: falta energia

Especialistas avaliam que exposição das distribuidoras será coberta apenas parcialmente

Por Wagner Freire

O leilão de energia existente, a ser realizado nesta quarta-feira (29/04), é a aposta do governo para minimizar parte da crise vivida pelo setor elétrico. Especialistas consultados pelo Jornal da Energia, porém, avaliam que a exposição das distribuidoras, calculada em 3,3GW médios, será coberta apenas parcialmente. 

Segundo André Pepitone da Nóbrega, diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a expectativa é que pelo menos se contrate 2,2GW médios. "Já seria um fato vantajoso", disse.

Para Erik Rego, diretor da consultoria Excelência Energética, o preço oferecido não atrai o vendedor. "O agente faz a conta entre vender nesse leilão ou continuar no mercado livre. E nas nossas projeções, o preço do mercado livre é maior que o preço teto do leilão", disse Rego, que também é professor e vice-coordenador do CEAI (pós-graduação em Administração Industrial) da Fundação Vanzolini.

De acordo com o edital do leilão, no contrato por disponibilidade, o preço teto será de R$ 262,00/MWh e no contrato por quantidade R$ 271,00/MWh. Nos contratos por disponibilidade estão incluídos os empreendimentos termelétricos, inclusive biomassa, diferenciados por fontes e por Custo Variável Unitário (CVU) igual ou diferente de zero. Já nos contratos por quantidade estão incluídas as outras fontes. O início de suprimento em 1º de maio de 2014 e término em 31 de dezembro de 2019.

"Esse leilão atenderá parcialmente a necessidade das distribuidoras. Afinal existe uma demanda de mercado maior que a oferta", lembrou Rodrigo Aguiar, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Conservação de Energia (ABESCO).

Ele explica que o sobre preço será o principal motivo de as distribuidoras não conseguirem contratar toda energia por meio de contratos de longo prazo, pois muitas geradoras vão preferir garantir a venda em preços mais altos no curto prazo que a segurança da venda em longo prazo. "Existe uma oportunidade de mercado de ser fazer lucro em curto prazo", afirmou Aguiar. A energia no mercado de curto prazo é precificada pelo Preço de Liquidação das Diferenças, o PLD, que nos submercados Sul e Sudeste está acima dos R$800/Mwh.

Para Fábio Cuberos, diretor de regulação da comercializadora Safira Energia, quando se analisa o contrato de cinco anos, o preço-teto é interessante para os vendedores. Mas quando o gerador mira o cenário atual, e lembra que está vendendo acima de R$800. "É uma conta a ser feita, mas gera uma dúvida", avaliou

Enquanto alguns agentes apostam em uma contratação de até 60% dos 3,3GW médios, Leontina Pinto, sócia-diretora da Engenho Consultoria, é mais conservadora nas estimativas. "Se a gente contratar 35% dessa capacidade já está de bom tamanho", disse.

Para ela, existe um descompasso regulatório, uma vez que as distribuidoras poderiam promover um leilão dentro de suas respectivas áreas de concessão para contratar energia de geração distribuída para amenizar a exposição. O problema é que a regra limita a contratação dessa energia pela Tarifa de Referência, que hoje está em R$79,87/MWh. "Elas poderiam fazer essa contratação se elas pudessem pagar um preço descente", criticou.

Pepitone informou ainda que a Aneel não antecipará a lista dos vendedores participantes do certame. A grande esperança do setor é que a Petrobras participe. Pelas contas de Erik Rego, a petroleira tem torno de 2 mil MW médios para venda. “A Petrobras é a maior candidata”, comentou Leontina.

A exposição involuntária das distribuidoras é hoje uma pedra no sapato do governo, pois está criando um passivo bilionário para o consumidor brasileiro, que começara a pagar essa fatura em fevereiro 2015. Se total ou parcial, o fato é que qualquer MW contratado nesse certame é considerado bem-vindo, uma vez que contribuirá para reduzir o custo com a compra de energia das concessionárias.

 

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