Por Maria Domingues
As tarifas de energia elétrica deverão ser reajustadas em até 19% em 2015 e 2016, aponta estudo realizado pela comercializadora Safira Energia. Desconsiderando o quarto ciclo de revisão tarifária e a energia proveniente das usinas não renovadas pela Medida Provisória 579, o aumento acumulado será de 83,4% até 2018.
Para chegar aos números para os próximos anos, a Safira Energia utilizou como premissa os dados da última ata do Comitê de Política Monetária (Copom) mais o orçamento das cotas da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) para 2014, que juntos somam 12,1%. Esse deverá ser o percentual mínimo dos reajustes tarifários anuais ordinários deste ano.
Somado a isso, tem-se os R$9,6 bilhões aportados para compensar os custos das distribuidoras com despachos termelétricos em 2013, ainda não repassados para a tarifa, mais os R$11,2 bilhões do empréstimo de socorro, que será operacionalizado pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). O grosso desses repasses deverão acontecer nos dois próximos anos.
De acordo com Cuberos, diretor de regulação da Safira Energia, os cálculos desconsideram, porém, o impacto redutor a ser causado pelo quarto ciclo de revisão tarifária, com composição mais complexa, que varia de empresa pra empresa, e as cotas de energia das usinas cujas concessões não foram renovadas seguindo os dispositivos da MP579, que serão repassadas às distribuidoras. "Não consideramos esse valor por não sabermos ao certo qual será o valor dessa energia", disse. Em entrevistas recentes, o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia Marcio Zimmermann afirmou que essa energia (cerca de 4,8 mil MW médios) neutralizará em R$5 bilhões por ano os efeitos do aumento tarifário.
Esse aumento máximo de 19% também considera que não serão necessários novos aportes de recursos para compensar o rombo das distribuidoras. Essa eventual necessidade dependerá do sucesso de leilão A-0, que será realizado nesta quarta-feira (30/04). O certame emergencial tem como objetivo reduzir uma exposição involuntária de 3,5 mil MW médios. "Não acredito em cobertura total", avaliou Cuberos.
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