A grande contratação de energia pelas distribuidoras no leilão realizado na última quarta-feira permitiu que as empresas reduzissem para 14,75% o déficit em suas carteiras, volume que precisa ser comprado no mercado de curto prazo para atender 100% do consumo, tirando as companhias do "sufoco". Mas não resolve todos os problemas. A contratação, por exemplo, vai antecipar para 2014 parte dos aumentos nas contas de luz que iriam ocorrer em 2015 e 2016. Estima-se que as distribuidoras terão reajustes entre 15% e 20% em média neste ano, afirmam os analistas da corretora Brasil Plural, Francisco Navarrete e Tatiane Shibata. Mas algumas empresas podem ter aumentos de mais de 30%. Consultores, entre eles a PSR, preveem que, em 2015, as tarifas irão subir mais 20% em média. Os reajustes não serão iguais para todo do país. As distribuidoras mais expostas ao mercado de curto prazo terão aumentos maiores, afirmou o diretor da Aneel, Romeu Rufino. Esse é o caso da Copel, do Paraná. As distribuidoras adquiriram ao todo 2,049 mil MW médios, por um preço médio de R$ 268 por MWh, em contratos que vão valer já a partir deste mês até o fim de 2019. As distribuidoras precisavam de 2,4 mil MW médios, segundo o governo federal. Portanto, suas exposições ao mercado de curto prazo caíram para 351 MW. Quando comparados aos preços da energia no mercado de curto prazo, que hoje custa R$ 822,83 por MWh, os contratos fechados na quarta-feira custam muito menos. A diferença, porem, é que essa exposição só começaria a entrar nos reajustes tarifários das distribuidoras em 2015 e 2016. Os novos contratos adquiridos no leilão, porém, serão incorporados imediatamente às carteiras das distribuidoras e vão entrar nos próximos reajustes tarifários. Se comparado aos preços dos demais contratos, que ficam em torno de R$ 150 e R$ 160 por MWh, o preço de R$ 268 por MWh é bem mais alto, explicou o diretor da Aneel. Isso vai aumentar o custo médio da energia paga pelos consumidores. (Valor Econômico – 02.05.2014)
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