Prioridade de Dilma Rousseff desde os tempos em que comandava a secretaria de Minas e Energia do RS, a usina termoelétrica de Candiota III acumula erros de projeto e problemas que contribuem para um cenário de perdas até 2024. Falhas na geração de energia, potencializadas pela estiagem que reduziu o volume dos reservatórios das hidrelétricas, podem impor à Eletrobrás prejuízo de R$ 1,7 bilhão nos próximos dez anos. Movida a carvão, a usina tem problemas desde o primeiro ano de funcionamento. O prejuízo é fruto de erro no projeto da caldeira, onde o carvão é queimado para produzir energia. Ao elaborar o projeto, a empresa chinesa Citic Construction não levou em conta a abrasividade do carvão brasileiro. Nos últimos anos, apenas essa característica foi responsável pelo surgimento de pelo menos nove furos nas tubulações da caldeira da usina. Devido à recorrência do problema, a usina não consegue gerar toda a energia que vendeu no leilão realizado em 2005, ao todo 292 MW médios. Na divulgação do balanço de 2013, o presidente da Eletrobrás, José da Costa Carvalho Neto, informou que Candiota não consegue produzir 50 MW médios. A principal razão é a falha no projeto da caldeira, mas esse não é o único problema, segundo a Aneel, que fiscaliza o empreendimento. Em 2005, a usina de Candiota III se comprometeu a fornecer os 292 MW médios em um leilão do governo federal. A limitação imposta pela instabilidade operacional da caldeira, somada a outros problemas, vem obrigando a Eletrobrás a adquirir no mercado livre a energia que não consegue produzir. É neste ponto que a estiagem prolongada dos últimos dois anos potencializa as perdas da estatal. Ao participar do leilão, a Eletrobrás ofereceu o megawatt/hora da energia a R$ 129,50. Mas para adquirir a energia no mercado à vista, a estatal paga hoje R$ 822,83. (O Estado de São Paulo – 05.05.2014)
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