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14/05/2014
Reajuste de combustíveis em 2014 deve fazer IPCA estourar teto da meta

Um reajuste nos preços dos combustíveis neste ano levaria a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) a ultrapassar o teto da meta estipulada pelo governo, de 6,5%, segundo cálculos de economistas consultados pelo Valor. Por isso, eles consideram o aumento em 2014 pouco provável, apesar da sinalização dada pela presidente da Petrobras, Graça Foster.

Na segunda-feira, ao comentar os resultados do primeiro trimestre da estatal, Graça Foster indicou que um reajuste nos combustíveis permitiria à companhia iniciar 2015 em situação menos desconfortável. No primeiro trimestre o lucro líquido da Petrobras caiu 30% contra mesmo período de 2013. Sem comentar o percentual ou quando o aumento aconteceria, Graça ressaltou que o reajuste seria "moderado", para reduzir a defasagem entre os preços no Brasil e os do mercado internacional.
Segundo economistas, a gasolina no Brasil custa cerca de 18% menos que no exterior. A diferença de preços chegou a 30% em 2013 e, desde fevereiro, vem recuando, com a ajuda da desvalorização do dólar frente ao real e o recuo da gasolina no mercado internacional. "Mesmo com o dólar mantido na casa de R$ 2,20, uma melhora na economia americana poderia pressionar o petróleo. Não contaria com ajuda internacional a médio prazo", diz o economista-chefe do Banco Fibra, Cristiano Oliveira, que prevê alta de 12% na gasolina em 2015. Para ele, mesmo sem reajuste de combustíveis neste ano, a inflação estourará o teto da meta. Ele projeta alta de 6,6% no IPCA em 2014. "Com reajuste nos combustíveis, a elevação passaria de 7%."
Como não existe regra para correção da gasolina e do diesel, diz Adriana Molinari, economista da Tendências Consultoria, não é possível descartar aumento ainda neste ano. "Trata-se de uma decisão política. Mas, como o IPCA acumulado em 12 meses deve ficar acima do teto da meta de junho a novembro, não vejo espaço para reajustes em 2014", diz, mantendo em 6,3% a projeção de alta no IPCA neste ano. Para Adriana, a gasolina subirá 10% nas bombas em 2015, elevando em 0,4 ponto percentual a inflação no período. Ainda assim, o IPCA terminaria 2015 com alta de 6,3%, abaixo do teto da meta. "Como devemos ter desaceleração de preços livres no ano que vem, há espaço para acomodar um aumento nos combustíveis."
Um reajuste da gasolina de 6% nas bombas neste ano levaria o IPCA a subir 6,64% em 2014, pelas contas da LCA Consultores - um acréscimo de 0,24 ponto percentual à atual previsão de inflação, de 6,4%. Se fosse aplicado aumento também no diesel, de cerca de 5%, a alta do IPCA neste ano chegaria a 6,7%. "O reajuste no diesel teria pouca influência direta sobre o IPCA, mas o reflexo indireto sobre os preços seria grande, porque elevaria os custos de frete", diz o economista da LCA, Fabio Romão.
Embora veja chance razoável de aumento nos combustíveis neste ano, após as eleições de outubro, Romão considera mais provável reajuste em 2015. Por isso, ele manteve projeção de IPCA neste ano em 6,4%, em linha com a mediana das estimativas do boletim Focus, do BC, que aponta alta de 6,39%. Se por um lado o reajuste nos combustíveis em 2014 faria a inflação estourar o teto da meta, por outro, aliviaria o avanço esperado em 2015. Pelas contas da LCA, neste caso, a alta de 6% esperada no IPCA em 2015 cederia a 5,7% (Valor, 14/5/14)

 

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