Mauricio Aredes, doutor em energia elétrica e professor da UFRJ, diz que a capacidade tecnológica chinesa em transmissão de energia será importante para o Brasil implementar os linhões que ligarão as novas hidrelétricas em construção no Norte do país com os principais centros consumidores. Hoje a linha de transmissão de maior tensão no Brasil é a de Itaipu, com 600 kv e 810 quilômetros de extensão. "Apenas a China hoje tem experiência em operações com 800 kv e eles já estão desenvolvendo tecnologia e programam colocar em operação em 2015 linhas de transmissão com 1100 kv", diz Aredes. A transmissão em tensões mais elevadas e em corrente continua, como programada para Belo Monte, gera economia e permite uma redução de perdas no trajeto. Apesar de ser grande o potencial brasileiro em biocombustiveis e em energia alternativas, principalmente eólica, solar e geradas a partir de biomassas, ainda não há nenhum investimento chinês nesses segmentos de mercado. A constatação é da consultora Camila Ramos, diretora da Clean Energy Latin América (CELA). A China, no entanto, é o maior investidor global em energias alternativas, tendo executado um programa de US$ 61,2 bilhões em 2013. Para a consultora Camila Ramos, diretora da Clean Energy Latin América (CELA), são dois os principais fatores que inibem os investimentos chineses em energia alternativa no Brasil. Em bioenergia, as restrições legais de compra de terras por estrangeiros. Em energia eólica e solar, a exigência de 60% de conteúdo local nos equipamentos financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que atendem a 90% do parque gerador dessas energias. "Teremos que atrair não só o capital chinês, mas também as fábricas chinesas para o Brasil", diz. (Valor Econômico – 27.05.2014)
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