Depois de apoiar e investir na produção de quase todos os tipos de energia, o BNDES está apostando na energia solar. O banco anunciou que até julho vai divulgar as condições de apoio à produção da energia renovável na esteira do leilão que a EPE já marcou para setembro. A informação foi dada por Nelson Fontes Siffert Filho, superintendente da área de infraestrutura do BNDES. O banco já estuda o tema e já esteve em contato com a Finame, seguindo o mesmo caminho que trilhou com os parques eólicos. "Estamos desenvolvendo uma política de conteúdo nacional, assim como foi realizado com os parques eólicos, que está sendo uma política muito bem-sucedida", afirma. Algumas reivindicações do banco estão sendo colocadas como condições para esse apoio, entre elas que se "leve em conta as especificidades da cadeia produtiva da energia solar" e que o MME sinalize que "o leilão terá perenidade". Segundo Siffert Filho o leilão de energia solar da EPE vai ocorrer em setembro e o BNDES "deve divulgar, em torno de 60 dias antes, as condições de apoio ao leilão". O índice de conteúdo nacional “poderá ser menor que 60%, desde que os fornecedores se comprometam com o BNDES e Finame a agregar valor e aumentar esse nível ao longo do tempo”. Segundo Siffert Filho, "as equipes técnicas estão estudando qual seria esse nível mínimo a partir do qual se começaria a estabelecer alternativas progressivas de conteúdo nacional". Ele explicou que seria possível estabelecer índice de nacionalização nas áreas de obras civis, na integração dos painéis solares e seus elementos. Resta discutir dentro do banco e com os agentes do setor se o BNDES pode oferecer uma linha de crédito que não seja em TJLP, conforme oferece para a parte de uso de conteúdo nacional dos projetos, mas também oferecer uma linha em IPCA para equipamentos importados sem similar nacional. "Isso seria uma forma de o banco evitar que os projetos de energia solar tenham um financiamento em moeda estrangeira, dado que a receita em moeda nacional poderia trazer um risco de descasamento de moedas", observa. Com relação ao preço da energia, o superintendente do BNDES acredita que nos primeiros leilões ele possa ser ligeiramente superior às demais fontes, já que está entrando no mercado. (Valor Econômico – 27.05.2014)
Localização
(51) 3012-4169
aeceee@aeceee.org.br