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30/05/2014
O risco do cavalo de pau

Surfando num crescimento de 7,5%, comparável ao Brasil do milagre econômico de governos militares, a presidente Dilma Rousseff assumiu o Palácio do Planalto em janeiro de 2011. Taxa de expansão desta magnitude hoje parece fora de moda. Há quase quatro anos crescimento econômico era o melhor cabo eleitoral da candidata oficial. Lá atrás, também estava na moda manter inflação sob controle, como reza a cartilha de bancos centrais de governos que aderiram ao regime de metas para a inflação. Integrante deste time, o Banco Central do Brasil não foi induzido pelo novo comando a rever a decisão de prosseguir com o aperto monetário iniciado meses antes e interrompido para observar o cenário.

A Selic subiu um mês, dois, três, quatro, cinco. Em junho,o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) foi o portador da pior notícia para a recém eleita presidente: o Produto Interno Bruto (PIB) crescera 1,3% no primeiro trimestre frente ao anterior e 4,3% na comparação com igual período de 2010. Não chegava a ser a metade da taxa de expansão da saideira do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas era quase.

Esse desempenho desabonador do PIB de chegada da presidente Dilma Rousseff tinha muito ou quase tudo do passado. Os dados indicavam que a ação do BC tomada nos últimos meses de 2010 para desaquecer o crédito ao consumidor – medidas macroprudenciais – tinha dado resultado. E mais, esse desaquecimento foi potencializado pelo aumento dos juros que seguiram a Selic elevada em 3,75 pontos percentuais até agosto, quando valia 12,50% ao ano. Os sinais de que a atividade estava se fragilizando eram evidentes. No entanto, a inflação, altiva e serena, permanecia exibida em 6,87% quando calculada em 12 meses até julho.

No fim de agosto de 2011, o Comitê de Política Monetária (Copom) surpreendeu 99,9% dos economistas de mercado e das tesourarias bancárias e cortou subitamente a taxa Selic em 0,50 ponto percentual, para 12%.Teve início ali o mais longo ciclo de queda de juro que o Brasil já registrou. Foram 5,25 pontos, até 7,25% ao ano alcançados em outubro de 2012 e mantidos até abril de 2013, quando teve início o ciclo de alta que o Copom acabou de encerrar. A Selic foi elevada também em 3,75 pontos, saindo daqueles 7,25% até os atuais 11%, já no replay.

Focado na inflação, mal acabou o ciclo de alta do juro e parte do mercado financeiro já vê a retomada da alta, possivelmente porque a inflação está encarapitada em 6,28% em 12 meses até abril. No entanto, a atividade está novamente tão debilitada que pode desacelerar rapidamente a inflação. Deixou de ser zero a probabilidade de o Copom reduzir a taxa Selic a partir de algum momento nos próximos meses.

 

Valor Econômico S.A.

 

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