Os "Cinco Frágeis" parecem novamente fragilizados.
A alta recente nos preços globais do petróleo reacendeu as preocupações com economias emergentes já às voltas com a desaceleração do crescimento.
Os preços altos do petróleo estão expondo as vulnerabilidades dos chamados Cinco Frágeis — Brasil, Índia, Indonésia, Turquia e África do Sul — e outros grandes importadores do produto, dizem investidores e analistas.
A maioria dos membros desse grupo importa mais petróleo do que exporta e depende de fluxos de capital para compensar esse déficit. O custo das importações, inflado pelos preços maiores, podem rapidamente alimentar a inflação, o que tende a afugentar investidores.
A lira turca subiu 3,9% desde o início de 2014 e atingiu seu pico no ano em meados de maio, mas desde então recuou 2,9%. A moeda da Indonésia, a rúpia, teve uma valorização de 8,2% em relação ao dólar entre janeiro e abril e, depois, eliminou grande parte desse ganho. Já a rúpia indiana acumulou alta de 6% até 22 de maio, mas depois caiu 3,1%.
O Brasil, por ser um grande produtor de petróleo, segue uma tendência oposta. O real se valorizou 3,4% em relação ao dólar desde o início deste mês.
Os índices de referência das bolsas da Turquia, Indonésia e Índia também já estão abaixo de picos recentes.
Alguns investidores temem que essa fragilização verificada recentemente possa se agravar e levar a uma nova onda de venda de ativos, principalmente se os preços do petróleo continuarem subindo ou se o Federal Reserve, o banco central americano, endurecer sua postura.
A recuperação nos mercados emergentes se deu na esteira do fraco desempenho do ano passado, causado, em grande parte, pela sinalização do Fed de que iria frear algumas de suas políticas de estímulo financeiro. Os Cinco Frágeis estavam entre os maiores retardatários.
"Países com déficits em conta corrente e dependentes de importação de petróleo são os mais vulneráveis", diz James Kwok, gestor de recursos da Amundi Asset Management, que terminou março com US$ 1,1 trilhão em carteira. "Vamos acompanhar de perto", diz ele, acrescentando que seu fundo não reduziu sua exposição a esses mercados, mas pode fazer isso caso os preços do petróleo continuem subindo e se aproximando dos valores máximos registrados no ano passado.
O preço do petróleo bruto tipo Brent, que é referência no mercado global, saltou mais de 5% desde 10 de junho, quando militantes islâmicos passaram a controlar as cidades de Mosul e Tikrit, no Iraque. O país é o segundo maior produtor da Organização dos Países Exportadores de Petróleo, a Opep, e há receios de que as exportações iraquianas possam ficar ameaçadas se a violência se espalhar.
Ontem, o preço do barril do Brent caiu 0,7%, para US$ 113,21. Ele atingiu um pico de quase US$ 119 no ano passado.
Com base num estudo de altas anteriores do petróleo, analistas do Australia and New Zealand Banking Group estimam que as moedas asiáticas poderiam se desvalorizar outros 2% se o petróleo atingir a marca de US$ 120 por barril.
Uma pesquisa mensal com investidores em mercados emergentes feita pelo Société Générale verificou que 49% deles estavam pessimistas no curto prazo, a leitura mais negativa desde setembro de 2013. "Eu apontaria a lira como a [moeda] mais vulnerável aos riscos geopolíticos", diz Benoit Anne, estrategista do banco francês.
Entre os Cinco Frágeis, Alessio de Longis, gestor de uma carteira de US$ 10 bilhões no Oppenheimer Funds, prefere a Índia. Ele destaca as melhoras na economia indiana e a recente tendência dos mercados financeiros do país de não seguir os passos dos mercados globais.
Ainda assim, para outros investidores, a lembrança da fuga de capitais do ano passado ainda está fresca na memória. Para estancar a debandada dos investidores de suas moedas e títulos de dívida, os bancos centrais de países como o Brasil, Turquia e a África do Sul elevaram as taxas de juros.
Apesar de essas decisões geralmente terem conseguido brecar a fuga de recursos, elas levantaram novos receios que o custo mais elevado do crédito venha a sufocar o crescimento econômico. Os investidores em câmbio costumam gravitar em direção a países onde os juros são maiores.
A Turquia tomou uma das iniciativas mais drásticas quando, em janeiro, elevou em 2,25 pontos percentuais a taxa de juros mais usada nos financiamentos. Desde então, o país reverteu parte dessa alta.
O banco central turco baixou seus juros de referência pelo segundo mês seguido na terça-feira numa tentativa de estimular o crescimento econômico (The Wall Street Journal, 27/6/14)
Localização
(51) 3012-4169
aeceee@aeceee.org.br