Empresa teve despesas de R$ 733 milhões com compra de energia pelas distribuidoras, parte foi coberta pela conta-ACR
Alexandre Canazio, da Agência CanalEnergia, Negócios e Empresas
31/07/2014
A EDP Brasil passou bem o primeiro semestre, mas reconheceu que o período foi difícil com a baixa hidrologia que afetou os negócios de geração e distribuição. Nos dois segmentos, a empresa precisou comprar energia no mercado de curto prazo para honrar compromissos. Na distribuição, as despesas chegaram a R$ 733 milhões, sendo que a conta-ACR e a CDE cobriram R$ 591 milhões. Na parte geradora, o GSF ficou em 93,8% no segundo trimestre. As despesas no período ficaram em R$ 64 milhões no período.
Essas aquisições de energia impactaram fortemente os gastos não gerenciáveis da EDP, que cresceram 51% no segundo trimestre. Miguel Seta, diretor presidente da EDP, afirmou que a empresa conseguiu controlar os gastos gerenciáveis, contrapondo esse cenário crítico. "A semelhança do trimestre anterior, [o segundo trimestre] foi marcado por um cenário energético desafiador. Mas, a empresa conseguiu apresentar resultados consistentes", avaliou o executivo em teleconferência com analistas nesta quinta-feira, 31 de julho.
Apesar desse cenário, a empresa conseguiu elevar o ebtida do segundo trimestre em 32% para R$ 430 milhões e o lucro líquido para R$ 184 milhões, com alta de 312%. "O que é controlável pela companhia foi realizado para minimizar os impactos do cenário", afirmou. A empresa realizou captação de R$ 1 bilhão no primeiro semestre para investimentos, capital de giro e obrigações diversas, como a compra de energia. Com isso, o caixa da companhia chegou a R$ 1,6 bilhão.
Um dos pontos que ajudaram o caixa da empresa foi a venda de participação nas hidrelétricas de Santo Antônio do Jari e Cachoeira Caldeirão para a China Three Gorges, que teve efeito caixa de R$ 420 milhões. As duas usinas junto com São Manoel são as prioridades da empresa em investimentos no segmento hídrico, de acordo com Setas. São Manoel tem previsão de início de obras no segundo semestre, já que conta marcos importantes já cumpridos como a obtenção do Reidi e da declaração de utilidade pública.
Na área de distribuição, o foco continua nos indicadores de qualidade e nas perdas de energia. Segundo Miguel Amaro, diretor vice-presidente de Controle e Gestão da EDP Brasil, o combate as perdas volta a ter atenção especial no segundo semestre, com importância maior na área da EDP Escelsa (ES). "Em relação a Escelsa, queremos que os níveis fiquem pelo menos iguais ao do ano passado", disse. A empresa fechou o segundo trimestre com perdas totais de 13,52%, sendo 5,91% não técnica.
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