A Eletrobras corre o risco de parar de pagar dividendos nos próximos anos, se acabarem os recursos de reserva de lucro e a empresa não conseguir reverter os resultados ruins que está registrando desde a adesão ao programa de renovação das concessões, por meio da MP 579, de setembro de 2012. "Da política de dividendos, o que temos da nossa reserva [de lucro] é R$ 2,1 bilhões. Se eu 'secar' essa reserva aqui, aí eu não tenho obrigação de [pagar] dividendos. Na verdade, temos de melhorar os resultados da companhia para poder adotar uma política de dividendos a partir de então", afirmou ontem o diretor Financeiro e de Relações com Investidores, Armando Casado, em teleconferência sobre o resultado do segundo trimestre, um prejuízo de R$ 105 milhões. O executivo também admitiu que a exposição da companhia ao risco hidrológico pode ter um impacto significativo no resultado do grupo este ano. Na prática, o risco hidrológico consiste no fato de a hidrelétrica gerar menos energia que o previsto em contrato e ter de comprar energia no mercado de curto prazo para honrar seus compromissos. O diretor, Armando Casado, contudo, explicou que a eventual perda que a companhia venha a registrar este ano devido ao risco hidrológico, será compensada pela venda de energia contratada nos anos seguintes. Ele se referiu principalmente ao montante de energia que a companhia vendeu no leilão "A-0", no valor de R$ 271 por MWh, por um período de cinco anos. "Vendemos a R$ 271/MWh por cinco anos e, mesmo considerando a exposição neste ano, existe uma vantagem econômica", disse. (Valor Econômico – 15.08.2014)
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