Por Maria Domingues
A Copel prevê que os quase R$900 milhões represados dos reajustes tarifários de 2013 e 2014 devem ser repassados ao consumidor em até dois anos. Enquanto o montante não retorna ao caixa, a companhia deve conter seus investimentos. A previsão para 2014 foi reduzida de R$2,6 bilhões para R$2 bilhões.
A companhia, que atende 4,5 milhões de unidades consumidoras no Paraná, solicitou à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) o diferimento parcial dos reajustes tarifários por dois anos consecutivos. Em 2013, o reajuste aprovado foi de 14,65% e o aplicado foi de 9,55%. Neste ano, por sua vez, o índice foi de 39,71% e o implementado foi de 24,86%.
A soma represada chega a R$898,3 milhões, sendo R$275,9 milhões relativos a 2013 e R$622,4 milhões relativos a este exercício. Nos dois anos, o diferimento foi solicitado pelo Governo do Paraná, acionista controlador da empresa. O governador Beto Richa (PSDB) é candidato à reeleição.
O diretor financeiro e de Relações com Investidores da Copel, Antonio Sergio Guetter, voltou a afirmar que a empresa não está perdendo dinheiro ou dando descontos ao consumidor do Paraná. "A decisão foi em função do momento vivido pelo país", disse.
O processo de reajuste tarifário da Copel aconteceu, em 2013, em meio as Jornadas de Junho, como ficaram conhecidas as manifestações populares realizadas em todo Brasil. Em 2014, apesar da coincidir com o calendário eleitoral, a Copel alega não querer onerar o consumidor do Paraná com os custos extras com compra de energia (termelétrica) acarretados pela crise hídrica, principal componente do índice. “É preciso deixar claro que o reajuste foi proposto pela Aneel e o governo federal. Eu não aceito”, afirmou Richa, na ocasião.
Como os agentes preveem que 2015 será mais um ano de condição hidrológica adversa, Guetter acha difícil que a empresa consiga repassar de vez esse valor represado. É por isso que a companhia trabalha com a expectativa de dividir esse ônus em dois anos.
Guetter afirmou não temer um estremecimento na relação com seus acionistas minoritários por conta dessa política de represamento de recursos. "Eles entendem as motivações", disse.
Para reduzir o impacto em seu fluxo de caixa, a Copel prevê investir menos em aquisições, mas deve continuar participando dos leilões - o próximo leilão de Transmissão, o A-5 e, posteriormente, o do segundo Linhão de Belo Monte estão no horizonte.
Outra ajuda vem da UTE Araucária (480MW), que apesar de trabalhar sem contratos de disponibilidade, está em plena operação por conta da crise hídrica. No primeiro semestre, o ativo gerou receita de R$1,043 bilhão, com lucro líquido de R$244,8 milhões.
Transmissão
A companhia deverá enviar à Aneel apenas em março de 2015 o laudo de avaliação para indenização dos seus ativos não amortizados ou depreciados, existentes em 31 de maio de 2000, renovados por meio da Medida Provisória 579 (atual Lei Federal 12.783/13).
De acordo com a Copel, o valor que consta em balanço para baixa é de R$160 milhões. Este, porém, pode não ser o valor final pleiteado para indenização, já que o laudo deve basear-se em uma metodologia diferente, definida pela agência reguladora.
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