De acordo com estudo, consumidores seriam apresentados a preços maiores e poderiam tomar decisão de consumir menos energia
Pedro Aurélio Teixeira, da Agência CanalEnergia, do Rio de Janeiro, Consumidor
12/09/2014
Estudo da Fundação Getúlio Vargas mostra que caso as bandeiras tarifárias tivessem sido adotadas desde o início do ano, a conta-ACR sofreria uma redução de R$ 6 bilhões apenas no primeiro semestre. De acordo com Joísa Dutra, coordenadora do Centro de Regulação e Infraestrutura da FGV, a validade das bandeiras durante todo o ano traria um efeito ainda maior. "Os consumidores seriam apresentados a condições de preços maiores desde o princípio e teriam reagido", afirma ela, que participou nesta sexta-feira, 12 de setembro, do Workshop da Comissão Especial de Energia Elétrica da OAB-RJ, no Rio de Janeiro (RJ).
As bandeiras tarifárias deveriam ter entrado em vigor em janeiro deste ano e já funcionam em fase de testes desde o ano passado, mas a Agência Nacional de Energia Elétrica decidiu adiar o seu início para 2015 por pedido de algumas distribuidoras que alegavam que sofreriam impactos. Ainda segundo Dutra, as bandeiras tarifárias provocariam no consumidor um efeito similar ao que no racionamento de 2001 fez com que se cumprissem as metas estipuladas pelo governo, o que levaria a uma conta-ACR com saldo menor que os cerca de R$ 16 bilhões captados.
A ex-diretora da Aneel acredita que seja Dilma Rousseff, Aécio Neves ou Marina Silva vencedor da eleição para presidência da República, serão necessários no setor elétrico brasileiro. Segundo ela, o setor vive uma crise inegável e o vencedor terá que se debruçar sobre a melhor forma de funcionamento do sistema. Para ela, a dependência dos recursos hídricos não pode nortear o setor. Ela lembra que países que não possuem vastos recursos hidrológicos como o Brasil não passam por problemas e pede uma combinação nas fontes de modo a não prejudicar a economia. "A hidrologia é um ponto favorável, não pode ser uma maldição. Não cabe um país com papel do Brasil enfrentar esse tipo de maldição", comenta.
Localização
(51) 3012-4169
aeceee@aeceee.org.br