A microgeração, ou geração distribuída não vem obtendo sucesso para emplacar no Brasil. O preço é seu principal entrave e afugenta o consumidor. Estudo realizado pela consultoria DNV Kema a pedido do Instituto Abrade de Energia indicam que o segmento tem potencial para investimentos de R$ 48,9 bilhões até 2030, chegando a 8% da matriz brasileira. Regulamentada pela Aneel para compor o quadro de distribuição há apenas dois anos, a microgeração carece de regras claras, afirma o consultor Carlos Delpupo, diretor da Keyassociados. Ele aponta a redução do uso da rede e a diminuição dos custos de distribuição como as principais vantagens. A geração distribuída pode ser feita por meio de painéis fotovoltaicos (energia solar) ou de aerogeradores (eólica). O problema é que não existem equipamentos produzidos no Brasil (com exceção dos aerogeradores). Sem escala de produção e nem mesmo de importação, o custo de instalação torna-se muito elevado. No caso de quem se conecta à rede, pode superar os R$ 20 mil, sendo que quase metade se deve ao equipamento que faz a conexão com a distribuidora. Isso faz com que o tempo de amortização do investimento seja elevado, de 10 ou até 15 anos. No caso da energia solar, os preços são menores, apesar de altos. Os materiais são igualmente importados, mas, como os painéis usados em residências são praticamente idênticos aos das grandes usinas, os produtores globais conseguem escalas de produção que barateiam o produto. Um inversor solar de 1 quilowatt pode custar cerca de R$ 3 mil. No caso do eólico, o preço salta para R$ 10 mil. Delpupo entende que a regulamentação da microgeração tem um problema de origem, já que considera a carga de impostos, que representa de 30% a 40% do custo final da energia. Ele considera inaceitável cobrar o custo de imposto e de transmissão de quem gera a própria energia e compartilha com a rede. (Valor Econômico – 22.09.2014)
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