Para o consultor Carlos Delpupo, diretor da Keyassociados, os preços oferecidos começam a se aproximar do necessário para viabilizar os projetos na área de biomassa, mesmo nos casos de cogeração. Nas contas de Delpupo, o megawatt-hora deveria custar entre R$ 180 - para usinas muito eficientes e próximas da rede de distribuição - e R$ 200 para remunerar a geração por biomassa. "A cana ficou mais competitiva", analisa Thais Prandini, diretora da Thymos Energia. "O preço começou a ficar interessante no leilão A-5." Apesar disso, a bioletricidade vai apenas "pegar carona" nesse leilão, diz, porque as condições continuam mais favoráveis às térmicas. Ela acha saudável ter a biomassa de cana na matriz, mas não criar dependência em relação a essa fonte. O governo parece ter reconhecido que misturar fontes diferentes no mesmo leilão para competirem entre si não estava funcionando, mas a separação de fontes só ocorreu para valer no leilão de energia de reserva, marcado para outubro. "Um leilão que separa as fontes e não as coloca para competir entre si reforça a ideia de que vai haver um cenário muito claro do seu status na variedade da matriz energética brasileira", afirma Delpupo. Segundo ele, isso permite fazer um planejamento melhor, porque assegura a participação de fontes variadas na matriz e reduz a dependência de uma ou poucas fontes. Thaís entende que no leilão de energia de reserva o governo está oferecendo um grande estimulo para o desenvolvimento da energia solar. De acordo com Zilmar, o setor pode responder rapidamente à necessidade de oferta de energia se os preços se tornarem mais competitivos. Não só pela instalação de novos projetos, como também pela adequação de usinas que hoje não exportam energia para a rede. (Valor Econômico – 22.09.2014)
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