Segundo a EPE, para próximo leilão A-5, foram inscritos projetos de térmicas a carvão com capacidade instalada somada de 4.490 MW, em Alagoas (2), Pará, Amapá, Paraíba (2), Rio Grande do Sul (3) e Santa Catarina. Sairão da gaveta? "Acho difícil que os projetos saiam do papel, por várias razões. A termelétrica a carvão é menos rentável e competitiva em relação a outras fontes por algumas particularidades, como o custo dos equipamentos, que são importados. O projeto do investidor acaba encarecendo pelo custo da tecnologia. Além disso, se olharmos o novo plano decenal de energia, vemos que por mais que esteja previsto quintuplicar o crescimento das térmicas, em base relativa, o carvão diminui de tamanho", avalia Mário Lima, diretor de consultoria em sustentabilidade da EY. De fato, o PDE 2013 do MME, que traz perspectivas de oferta e demanda de energia na próxima década, mostra estabilidade na capacidade instalada de geração de energia a partir do carvão mineral e seus derivados na matriz energética. Em termos relativos, há perda de participação. Isso mostra que ainda que as térmicas continuem sendo encaradas como uma espécie de "backup" para a geração de energia a ser utilizada como fonte complementar nos períodos de seca, há preferência do governo por fontes consideradas mais limpas - como a biomassa. O ceticismo sobre a viabilidade dos novos projetos de usinas a carvão ocorre, também, porque dentre todas as bases energéticas o carvão é um dos combustíveis mais poluentes. Não por acaso, a volta dos projetos de usinas a carvão aos leilões de energia foi duramente criticada por ambientalistas. "Existe um compromisso de o Brasil não sujar sua matriz energética. O país liderou a apresentação na COP15 de redução de emissões (de CO2) de forma voluntária até 2020 e precisa honrar seus compromissos", diz Lima. Segundo dados da Aneel, existem atualmente 13 usinas a carvão em operação no país, com uma capacidade instalada de 3,1 GW. (Valor Econômico – 22.09.2014)
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