Enfraquecida nas urnas, a ala do PMDB que controla politicamente o MME deve deixar o comando da pasta no segundo mandato da presidente Dilma Rousseff. Essa é a aposta, praticamente unânime, de executivos do setor e dos próprios interlocutores de Dilma. Todos estão convencidos de que, para desatar os nós enfrentados na área energética em 2015, uma mudança é praticamente certa. As fichas se voltam para nomes que combinem qualificação técnica e capacidade de recuperar o diálogo com as associações do setor elétrico. Giles Azevedo, ex-chefe de gabinete da presidente e peça-chave no comitê de campanha, é um dos cotados. Giles já havia sido presidente da Sulgás, distribuidora de gás no Rio Grande do Sul, quando a presidente era secretária estadual de energia. Há quem diga ainda que Dilma simpatizava, até pouco tempo atrás, com a ideia de "puxar" para Brasília o atual diretor-geral de Itaipu, Jorge Samek. O que está claro, segundo um executivo do setor experiente no trato com o governo, é a disposição da presidente em atacar desajustes como o encarecimento da eletricidade paga pela indústria e o crescimento de desequilíbrios financeiros de geradoras e distribuidoras. Durante a campanha, quem conversou com Alessandro Teixeira, coordenador do programa de governo de Dilma, saiu com a certeza de que ela não está totalmente satisfeita com os rumos do setor elétrico. Ninguém mais aposta na continuidade do ministro Edison Lobão, cujo grupo político saiu bastante desfalcado das eleições. O senador José Sarney (PMDB-AP) e sua filha, Roseana, ficam sem mandato a partir de janeiro. Edison Lobão Filho, que tentava suceder Roseana Sarney no governo do Maranhão, foi derrotado no primeiro turno e só volta ao Senado na condição de suplente do pai. O próprio Lobão teve seu nome citado, sem provas, nos escândalos da Petrobras investigados pela Operação Lava-Jato. Tão grande quanto a expectativa sobre uma troca de comando no ministério é sobre a dimensão das mudanças. O secretário-executivo Márcio Zimmermann e o presidente da EPE, Maurício Tolmasquim, são os principais formuladores de políticas no setor e detêm a confiança absoluta da presidente. Na iniciativa privada, a avaliação geral é que o novo ministro assumirá diretamente o diálogo com as empresas, substituindo o papel exercido por Zimmermann. (Valor Econômico – 28.10.2014
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