Diretor diz que previsão de risco de déficit de 5% não é parâmetro para a adoção de medidas de restrição ao consumo de energia
Sueli Montenegro, da Agência CanalEnergia, de Brasília, Operação e Manutenção
06/11/2014
O diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico, Hermes Chipp, negou nesta quinta- feira, 6 de novembro, que o risco de déficit de energia de 5%, projetado para as regiões Sudeste e Centro-Oeste em 2015, indique racionamento. “Não há nenhuma indicação de que tenha risco de racionamento para o ano que vem. Ainda que [esse percentual] supere os 5%”, garantiu Chipp, ao chegar para o Encontro dos Associados da Apine com seus convidados.
O executivo do ONS explicou que o risco de qualquer déficit de energia divulgado na última quarta-feira, 5, pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico não pode ser usado como base para a adoção de medidas de restrição do consumo de energia. “Racionamento se faz quando o operador visualiza que os recursos disponiveis para atender a carga não serão suficientes, igualzinho em 2001. Quando isso acontecer, a gente tem por atribuição indicar ao comitê de monitoramento, ao governo e à Aneel”, completou. O cálculo de 5% é feito com base em 2 mil cenários de chuvas considerados no período úmido, nas principais bacias hidrográficas.
Chipp destacou que considera mais relevantes as previsões meteorológicas feitas para períodos de dez e de 30 dias. Segundo ele, os institutos de meteorologia mais qualificados do país, que são o CPTEC, o Cemadem e o INPE, indicam que a estação chuvosa já se definiu, com sinalização de chuvas na média ou acima da média já para novembro na região dos reservatorios principais, que estão em São Paulo e na fronteira de São Paulo com Minas Gerais.
A previsão do ONS é de que mesmo que chova na média histórica será suficiente para recuperar os reservatórios, porque as térmicas continuarão ligadas. Chipp considera um equívoco a comparação entre o nível de 23% para os reservatórios do Sudeste em novembro de 2001 e os 16% previstos para novembro de 2014. Ele lembra que naquela época o país tinha 4 mil MW de térmicas instaladas e agora tem 16 mil MW. Caso as chuvas fiquem acima da média, afirma, é possivel que se possa desligar pelos menos as termelétricas a óleo, que têm custo mais elevado.
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