Notícias do setor
07/11/2014
Avaliações apontam cenário de abastecimento incerto para 2015

Chipp, do ONS, diz que reservatórios do SE\CO devem chegar a abril com pelo menos 30% para garantir travessia do período seco

Sueli Montenegro, da Agência CanalEnergia, de Brasília, Operação e Manutenção
06/11/2014

O cenário de abastecimento de energia em 2015 é uma incógnita até mesmo para as autoridades do setor elétrico, embora oficialmente não se admita qualquer possibilidade de racionamento. O diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico, Hermes Chipp, calcula que os reservatórios do Sudeste\Centro-Oeste precisam chegar no fim do período úmido em abril com 30% a 35% de armazenamento para que o país possa atravessar o período seco de 2015 sem risco de desabastecimento. Chipp acredita que se as afluências chegarem a 80% da Média de Longo Termo é possível atingir esse nivel.

A preocupação com a situação dos reservatórios no ano ‏que vem é compartilhada por agentes e especialistas do setor, que participaram nesta quarta-feira, 6 de novembro, do Encontro dos Associados da Apine com seus convidados. Anfitrião do evento, o presidente do Conselho de Administração da Associação dos Produtores Independentes de Energia Elétrica, Luiz Fernando Vianna, admite que o cenário é realmente preocupante porque os reservatórios das hidrelétricas chegaram ao fim do período seco com níveis muito baixos.

“Nem os grandes especialistas em hidrologia sabem avaliar”, afirma o consultor José Said de Brito, da Excelência Energética. Ele lembra exemplos extremos de crise citados pelo ex-diretor geral da Aneel Jerson Kelman para ilustrar a situação atual de imprevisibilidade. Um deles foi a seca de oito anos enfrentada pela Austrália e o outro a crise hidrológica de três anos consecutivos vivida pela Califórnia, nos Estados Unidos, pouco antes do racionamento brasileiro em 2001.

A previsão de especialistas do setor é de que será preciso de dois a três anos de chuvas regulares para a recomposição dos reservatórios das usinas no Brasil. “Se não chover na média, pelo menos, vamos ter dificuldades”, prevê Said. Para o consultor, não se pode acusar o governo de não fazer nada para diversificar as fontes disponíveis. Um exemplo disso, afirma, foi o último leilão de reserva, que surpreendeu o mercado com a participação de empreendimentos de fonte solar. Outro é a entrada todo ano de mais energia de novos parques eólicos. Said  lembra, porém, que essas fontes não tem energia disponivel o tempo todo como as termelétricas e diz que é preciso reavaliar o modelo hídrico da matriz elétrica atual.

Para Vianna, da Apine, o parque termelétrico brasileiro “tem respondido surpreendentemente bem” à operação à plena carga. Muitas dessas usinas começaram a ser acionadas pelo ONS desde outubro de 2012 e, na opinião do executivo, têm tido desempenho até melhor que o esperado. Ele reconhece que é necessário estar atento à necessidade de manutenção das máquinas. Já Hermes Chipp não vê problema de estresse na operação e lembra que em países onde a fonte térmica predomina as usinas funcionam durante todo o tempo. 

Em alerta na questão do atendimento no horario de ponta, o operador do sistema tem feito estudos para definir a operação no verão, caso a elevação de temperatura tenha comportamento idêntico à do ano passsado. Chipp diz que a temperatura atingiu valores inéditos, mas ainda assim foi possível atender a carga. “Eu acredito que esse ano não haja problema. Estamos administrando isso com cuidado, com cautela, estudando cenários.”

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