Enquanto o governo assegura que não há desequilíbrio estrutural na oferta, o número de "apaguinhos" inverteu a tendência de queda verificada no ano passado e cresceu em 2014, conforme dados oficiais. Entre janeiro e setembro, o sistema registrou 58 interrupções no fornecimento com carga igual ou superior a 100 MW, o suficiente para abastecer uma cidade de 400 mil habitantes. A queda de luz durou pelo menos dez minutos em todos os casos. Foram 49 ocorrências no mesmo período de 2013. O alto índice de "apaguinhos" intriga especialistas, que não têm uma explicação fechada para esse fenômeno, mas cogitam hipóteses como a queda no nível dos reservatórios das usinas hidrelétricas e a fragilidade nos sistemas de transmissão. De olho na persistência dos problemas, o TCU abriu uma auditoria para investigar as razões de tantos cortes de luz. Auditores estão visitando distribuidora por distribuidora para saber a origem das ocorrências e avaliar se a Aneel tem fiscalizado adequadamente essas empresas. As informações sobre a incidência de cortes estão disponíveis no Boletim de Monitoramento do Sistema Elétrico, uma publicação mensal do próprio governo, que é divulgada pelo MME. Entre janeiro e setembro de 2012, segundo os relatórios, houve 65 ocorrências e 22.738 MW de carga interrompida. Comparações com anos anteriores não são possíveis porque o ministério incluía cortes de luz menores na conta. Os números demonstram uma evolução em 2013. Houve 20.409 MW de carga afetada em 49 eventos. Neste ano, a quantidade de "apaguinhos" subiu novamente, atingindo 21.403 MW em um total de 58 ocorrências. (Valor Econômico – 12.11.2014)
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