Diretor da estatal de petróleo diz que faltam ser acertados os detalhes acerca das garantias que serão ofertadas no acordo
Mauricio Godoi, da Agência CanalEnergia, de São Paulo, Operação e Manutenção
17/11/2014
A negociação entre a Petrobras e a Eletrobras sobre a dívida da Amazonas Energia com a BR Distribuidora e Cigás está com valores e índices de correção já acertados. O que falta é uma questão referente às garantias para o acordo. A conta está em cerca de R$ 7 bilhões não deverá mais aumentar porque a venda do combustível para a geração de energia por lá agora é feita de forma antecipada.
“Agora a Eletrobras e sua subsidiária Amazonas Energia compram o gás com o pagamento antecipado. Então, não há mais um aumento do principal da dívida”, explicou o diretor da divisão Gás e Energia, Alcides Santoro, afirmou na teleconferência com analistas e investidores, sobre o desempenho operacional da Petrobras no terceiro trimestre de 2014.
Ao final de agosto as duas estatais cujo controle é do governo federal se reuniram e formaram um grupo de trabalho para discutir a dívida. Do valor de R$ 4,9 bilhões com a BR Distribuidora, R$ 1,7 bilhão era apontado pela Eletrobras como parcela controversa, já que a ANP e a Petrobras consideravam preços diferentes para o mesmo combustível. Do saldo de R$ 3,2 bilhões, R$ 1,75 bilhão é de responsabilidade da CDE e outros R$ 1,45 bilhão da concessionária amazonense. Com a Cigás, o débito é de R$ 2,3 bilhões também com a compra de gás natural.
Gás - Em termos de Brasil, no terceiro trimestre de 2014, a manutenção do despacho do parque termelétrico no Brasil levou a um aumento na demanda de gás natural, reportou a Petrobras. A demanda ficou em 43,5 milhões de metros cúbicos ao dia, que permitiram a geração de 7,7GW médios nesse período. Desse montante, 4,6 GW médios foram de geração própria.
Segundo o diretor de Exploração e Produção da empresa, José Miranda Formigli, com a produção do terceiro trimestre o Brasil conseguiu reduzir em 16% a importação de gás natural liquifeito (GNL), que ficou em 18,5 milhões de metros cúbicos ao dia ante o segundo trimestre de 2014. Mesmo assim, na comparação com o mesmo trimestre de 2013, houve aumento de 44,5% na importação do insumo.
A projeção de oferta de gás natural da Petrobras a todo o mercado nacional deverá alcançar um volume de 46 milhões de metros cúbicos ao dia no acumulado do segundo semestre deste ano. Se essa previsão se confirmar, representará um crescimento de 15% na comparação com a primeira metade de 2014, quando a empresa informou ter colocado 40 milhões de metros cúbicos do insumo à disposição dos consumidores no país.
A oferta total de gás natural no Brasil no terceiro trimestre de 2014 alcançou 97,7 milhões de metros cúbicos ao dia, um crescimento de 14% ante o mesmo período do ano passado que era de 85,8 milhões de metros cúbicos diários.
Lava Jato - A Petrobras não revelou seus resultados do terceiro trimestre em função da Operação Lava Jato da Polícia Federal, onde o ex-diretor da companhia, Paulo Roberto Costa, afirma ter ocorrido pagamento de propina de empresas. Com essas acusações a auditoria externa da estatal a Price Waterhouse Coopers não referendou as demonstrações contábeis no prazo legal que terminou na última sexta-feira, 14 de novembro. A data para a divulgação das informações financeiras da companhia está agendada para 12 de dezembro.
Em função das denúncias contra a empresa, a presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, anunciou nesta segunda-feira, 17 de novembro, a criação de uma nova diretoria. Chamada inicialmente de Governança e Compliance, terá como meta assegurar o cumprimento da lei para evitar novas ocorrências como as que vem sendo denunciadas na operação da Policia Federal. A meta, disse a executiva, é de recuperar a confiança na companhia.
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