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24/11/2014
Questão fiscal: todo mundo em crise? Não.

21 de novembro de 2014 por mansueto

Nas últimas semana o governo vem enfatizando que vários países da Europa têm déficit primário maiores do que o do Brasil e, assim, a deterioração das contas públicas seria um fenômeno mundial que atingiu vários países devido aos efeitos da crise financeira no crescimento dos países.

Será que isso é verdade? Não. O melhor indicador para olharmos não é primário mas sim o resultado nominal. O Brasil, como tem juros muito alto, precisa de um primário maior que outros países para estabilizar a sua divida em relação ao PIB. Assim, vamos olhar para o resultado nominal.

Nesta comparação dois pontos são importantes. Primeiro, a deterioração fiscal de um grupo de países da Europa (Reino Unido, Itália, França, Portugal e Espanha) foi maior de 2007 a 2010. Nos últimos anos esses países vem reduzindo rapidamente o déficit nominal e se espera que esse processo continue pelos próximos anos como se observa abaixo nos dados do FMI.

Déficit Nominal Países Selecionados Europa – % do PIB

Deficit nominal

Fonte: FMI. 2014* = projeção FMI de outubro de 2014.

Segundo, este não é o caso do Brasil. No nosso caso, o nosso déficit nominal não piorou muito no auge da crise, em 2009, mas piorou bastante neste ano e tudo indica que poderá ainda ser pior em 2015. O Brasil está perigosamente caminhando para um déficit nominal na faixa de 5% a 6% do PIB, o mesmo déficit que tínhamos em 2002 e 2003.

 Déficit Nominal do Brasil – 12 meses – % do PIB – Nov/2002-Set/2014

def nominal

Fonte: Banco Central

A nossa forte deterioração fiscal é fruto de uma combinação perversa de gasto público crescente em relação ao PIB e aumento de juros para combater a inflação. Se o governo prosseguir com a expansão das despesas e o BACEN com o aumento dos juros terá início um debate sobre dominância fiscal.

Assim, quanto mais rápido o governo sinalizar um plano sério de recuperação do primário melhor será para a economia e para todos nós. Quanto maior a leniência do governo com o fiscal maior será a chance de pagarmos mais juros, aumentar ainda mais a dívida publica e termos crescimento médias inferior a 1,5% ao ano ao longo dos próximos quatro anos. A bola está com o governo que, por enquanto, fez apenas gol contra.

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