Como se não bastassem todos os esqueletos tarifários que devem sair do armário, os reajustes das contas de luz vão sofrer uma pressão adicional de até quatro pontos percentuais em 2015, por causa da usina binacional de Itaipu. Pelo tratado firmado entre o Brasil e o Paraguai, a Eletrobras compra toda a energia produzida pela hidrelétrica, mas não deve ter suas contas impactadas por isso - nem positiva, nem negativamente. Neste ano, como o esvaziamento dos reservatórios fez as usinas gerarem menos eletricidade do que seus contratos previam, esse déficit provoca um rombo financeiro que é rateado pelo "condomínio" de geradores. A cada um, cabe uma "cota" da fatura aberta pela compra de energia no mercado de curto prazo. A fatia de Itaipu nesse rateio, que precisa ser desembolsada pela Eletrobras, é estimada pelo banco JP Morgan em R$ 4 bilhões. O consultor Edvaldo Santana, ex-diretor da Aneel, acredita em um patamar semelhante. Nem toda a conta do déficit hidrológico vai parar nas mãos dos consumidores. Isso só acontece no caso das usinas que tiveram suas concessões renovadas em 2012, pela MP 579, depois convertida na Lei 12.783. Para todas as outras, o risco é do negócio, e fica com as próprias geradoras. Itaipu tem regras próprias. Individualmente, a usina binacional tem que entregar pelo menos 75 milhões de megawatts-hora todos os anos. Em 2013, quando bateu um recorde de produção, foram 98,6 milhões. Desta vez, ficará novamente acima do mínimo requerido e pode alcançar 91 milhões de megawatts-hora, segundo a assessoria da empresa. O problema é que, mesmo produzindo além do mínimo exigido, ela faz parte do "condomínio" das hidrelétricas e precisa entrar no rateio geral. A Eletrobras, embora tendo que arcar de imediato com esse custo, tem o direito de repassar a conta aos consumidores de energia. O repasse ocorre na data de aniversário contratual de cada distribuidora de energia. Normalmente, cada bilhão de despesas adicionais no setor elétrico se reflete em um ponto percentual nas tarifas. Nesse caso, não está claro se o adicional tarifário será dividido entre todas as distribuidoras, de modo uniforme. Isso porque apenas 30 das 64 empresas do país, principalmente nas regiões Sul e Sudeste, recebem parte do suprimento de Itaipu. Além desse custo, as tarifas de Itaipu ainda vão sofrer o peso da variação cambial, já que são cotadas em dólar. (Valor Econômico – 02.12.2014)
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