Sete Brasil precisa de R$ 2,3 bi para pagar a estaleiros contratados para fazer suas 28 sondas.Petroserv e OAS/Etesco deixaram o projeto de cinco sondas nos últimos dias; empresa procura substitutos.
Criada pela Petrobras para construir e alugar as sondas bilionárias para exploração do pré-sal, a companhia Sete Brasil enfrenta uma situação dramática.
Não tem dinheiro para os compromissos de curto prazo, dois sócios minoritá- rios acabam de abandonar o projeto e o escândalo de corrupção na Petrobras bate à sua porta.
As dificuldades da Sete, que tem hoje um dos maiores contratos com a Petrobras, no valor de US$ 25 bilhões (R$ 64 bilhões), já comprometeram os ganhos que os acionistas esperavam obter.
A última reunião entre eles, na quinta (26), virou um encontro para "lavar a roupa suja" com a Petrobras.
A Sete tem entre seus sócios a Petrobras, os bancos BTG Pactual, Bradesco e Santander e vários fundos de pensão ligados ao governo, como Petros (Petrobras), Funcef (Caixa) e Previ (Banco do Brasil). Além deles, há sócios minoritários em cada uma das sondas --conhecidos como operadores. A Sete confirmou que dois deles deixaram o negócio: Petroserv e OAS/Etesco. Eles participavam da construção de 5 das 28 sondas. A Sete procura substitutos.
É mais um problema para a empresa que, pela segunda vez em dois meses, pode atrasar pagamentos aos estaleiros que fazem as sondas.
A Sete precisa de US$ 900 milhões (R$ 2,3 bilhões) para pagar contratos que vencem entre dezembro e fevereiro e não tem dinheiro em caixa. Em outubro, a companhia atrasou pela primeira vez o pagamento e foi socorrida pela Caixa Econômica com cerca de R$ 900 milhões.
Esses empréstimos de emergência elevam os custos do projeto e reduzem a taxa de retorno anual dos sócios.
Na reunião da semana passada, alguns acionistas reclamaram que, desde sua entrada no empreendimento, em 2011, o ganho anual caiu de 30% para 20%.
Para resolver os problemas financeiros, a Sete tenta receber ainda neste ano um primeiro empréstimo de US$ 5 bilhões, do BNDES e do UK Export Finance, da Inglaterra, que ainda não saiu por desavenças com aqueles sócios operadores que se recusavam a assinar os contratos de financiamento porque queriam sair do negócio.
Estrangulada pelos gastos mais urgentes, a Sete agora pede R$ 800 milhões ao Banco do Brasil. É um terço do que precisa no curto prazo, para não atrasar seus pagamentos.
MEDO
Segundo a Folha apurou com três executivos que participaram da última reunião, os acionistas criticaram a Petrobras pela indicação de Pedro Barusco, primeiro diretor de operações da Sete.
Ex-executivo da estatal, Barusco confessou participação no suposto esquema de corrupção da Petrobras. Na Sete, estruturou todos os contratos para construção de sondas. Essas operações estão passando por auditoria, com a ajuda de escritórios de advocacia contratados.
O medo é que Barusco tenha superfaturado os contratos da Sete, replicando o esquema da Petrobras. Além de comprometer o projeto, o "efeito Barusco" pode arranhar a imagem dos acionistas privados (Folha de S.Paulo, 4/12/14)
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