Governo acredita que certame poderá ser realizado ainda em meados de janeiro e diz que a demanda do segundo semestre já está equacionada
Mauricio Godoi, da Agência CanalEnergia, de São Paulo, Negócios e Empresas
05/12/2014
O resultado do leilão do A-1 realizado nesta sexta-feira, 5 de dezembro, levará à realização de leilão de ajustes em janeiro de 2015. Há a possibilidade de que ocorra mais de um certame, mas esse fato dependerá do nível de contratação de energia no primeiro evento, que pode ocorrer em meados do mês que vem. A meta seria a de contratar energia para equacionar a demanda das distribuidoras no primeiro semestre, já que o MME considera que as concessionárias estão preparadas para atender o consumo na segunda metade do ano.
“Podemos realizar um ou mais leilões de ajustes, já tivemos três certames como esse em um ano, tudo vai depender da demanda que tivermos contratada no primeiro certame. Podemos ainda colocar outros produtos diferenciados por prazos de fornecimento”, indicou o superintendente de estudos de mercado da Aneel, Frederico Rodrigues.
De acordo com o representante do MME, Igor Alexandre Walter, em 2015 o país terá muita energia velha transformada em cota a partir de julho. Contudo, até lá para suprir a demanda com produtos de menor prazo é possível que se realize um ou mais leilões na modalidade de ajuste.
“Não há quase demanda para o segundo semestre de 2015 com a entrada das cotas de energia. O problema está no primeiro semestre do ano “, afirmou ele em coletiva após o término do A-1, em São Paulo.
A conta com a qual o governo trabalha é a seguinte: em janeiro entram as cotas da UHE São Simão (MG/GO – 1.740 MW) que em janeiro é de 785 MW médios e de 1.217 MW médios. Em julho somam-se ainda 3,5 GW médios que serão revertidos. Ou seja, em agosto as distribuidoras receberão 4,2 GW médios. Segundo o MME esse montante de energia é o suficiente para atender a demanda das concessionárias a partir daquele mês.
O presidente da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica, Nelson Fonseca Leite disse em novembro que se toda a energia prevista realmente virar cota, a exposição média das distribuidoras em 2015 estaria em 696 MW médios e que seria esta a demanda do segmento para o A-1. Os contratos que se encerram ao final do ano é de cerca de 4,5 GW médios.
Por essa razão, se houvesse grande contratação nesse leilão as concessionárias poderiam ficar com um alto volume de sobrecontratação, acima do limite de 5% permitido segundo a legislação.
Em função desse cenário o presidente do Conselho de Administração da CCEE, Luiz Eduardo Barata, comentou que á praticamente certo que seja realizado o leilão de ajuste no ano que vem. Ele aproveitou e disse que não há no horizonte um novo acordo de ajuda às distribuidoras no mesmo modelo da conta-ACR.
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