Em reveladora entrevista à jornalista Claudia Safatle, publicada na edição de hoje do Valor, Levy passou recados importantes, embora ainda tenha escondido o jogo em alguns momentos.
O primeiro é que a mudança de foco da política econômica precisa ocorrer de forma rápida. Em referência ao comunicado da última decisão do Federal Reserve, ele disse que “não vai precisar de muita paciência para ver os juros curtos nos EUA subirem” e acrescentou que a China também retirou estímulos fiscais a grandes investimentos e ao setor imobiliário.
Isso deve diminuir o fluxo de capital para o Brasil e reduzir o preço das commodities que exportamos, exigindo um ajuste no balanço de pagamentos.
A correção que precisa ser feita, diz ele, passa por uma mudança de foco de estímulo ao crédito, que era o que vinha sendo feito até agora, para a necessidade de se fomentar a poupança. Embora sem dar detalhes, ele deixa claro que tanto o governo como as famílias terão que mais controlar seus gastos a partir do ano que vem.
Em relação ao ajuste fiscal do setor público, ele não disse quais impostos vai subir, nem quais gastos pretende “modular”, mas deixou claro que o esforço fiscal não atinge a cifra de R$ 100 bilhões que circulou no mercado, e sim pouco mais do que os R$ 66 bilhões da meta oficial de superávit para 2015.
Para chegar lá, ele adiantou que deve voltar atrás em um dos pontos chave da polêmica Medida Provisória 579, colocando de volta na conta de luz não apenas o custo da geração termelétrica como os encargos da conta CDE que tinham sido assumidos pelo Tesouro Nacional.
Levy disse ainda que pretende acabar com “dualidade” no mercado de crédito público e privado - comparando esse movimento com algo que houve no passado nos mercados de câmbio e de trabalho no Brasil. Nesse caminho, deixou claro que a alta de 0,50 ponto percentual feito na TJLP na semana passada foi um ajuste “incipiente”.
A mensagem geral do futuro ministro é que é preciso acabar com o intervencionismo na economia e, nessa linha, fez até uma comparação com a União Soviética comunista. “Os riscos de uma política dirigista seriam os mesmos daquelas que faziam as prateleiras das lojas de Leningrado viverem vazias e as pessoas gastarem horas preciosas em filas para comprar bens básicos. Aliás, ações voluntaristas ensaiadas há poucos anos mostraram que se pode rapidamente desestabilizar um segmento aparentemente seguro, piorando inclusive as condições de colocação da dívida pública”, disse Levy, sem mostrar constrangimento em criticar abertamente ações tomadas no primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff, que a convidou para o Ministério.
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