Com o fim do auxílio de R$ 9 bilhões em subsídios pagos pelo Tesouro Nacional, a conta de luz dos consumidores das Regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste terá um reajuste de 19,97% derivado dos gastos com programas sociais que voltarão a ser cobrados na tarifa de energia. Somado ao aumento do preço da eletricidade de Itaipu, também repassado ao consumidor, o “tarifaço” para essas três regiões chegará a 25,97% em 2015. Além disso, as contas de luz terão o impacto adicional do reajuste ordinário, concedido todos os anos. Para algumas empresas, a soma dessas contas pode provocar uma alta de tarifa superior a 60%, índice muito acima do previsto MME até aqui. É o caso da CPFL Jaguari, do interior paulista, que teve aprovado nesta terça-feira um aumento de 45% nas contas, que se soma aos 19,97% dos programas sociais. Os números foram apresentados pela Aneel na proposta para o orçamento do fundo setorial CDE. Segundo o relator do processo, diretor Tiago de Barros Correia, as despesas com programas do setor elétrico vão atingir R$ 25,961 bilhões neste ano - as receitas próprias da CDE somarão apenas R$ 2,75 bilhões. A conta repassada aos consumidores somará R$ 23,21 bilhões em aumentos na tarifa. O diretor-geral da Aneel, Romeu Rufino, considerou “razoável” o reajuste extraordinário nas contas de luz de consumidores do Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Questionado sobre o impacto nas tarifas, Rufino não quis adiantar nem confirmar números. Disse apenas que o aumento “deve ser dessa ordem”. Para o Norte e Nordeste, os reajustes para cobrir a CDE devem ser de 3,89%, “significativamente menores”, disse Rufino. Esses consumidores não pagam a energia de Itaipu, por exemplo. Além disso, o custo dos programas sociais é dividido numa proporção menor para esses consumidores - 80% vão para Sul, Sudeste e Centro-Oeste e 20% para Norte e Nordeste. (O Estado de São Paulo – 03.02.2015)
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