Diante do segundo ano consecutivo de perdas bilionárias, por causa do baixo nível dos reservatórios, os donos de usinas hidrelétricas estão fazendo novos apelos ao governo federal para estancar a sangria financeira que não para de crescer. Neste ano, conforme projeções do setor, os números verificados em 2014 devem se repetir e as geradoras precisarão desembolsar mais de R$ 20 bilhões para repor o montante de energia previsto em seus contratos e que não foi efetivamente produzido. Apesar do rombo financeiro, esse déficit na geração tem sido tratado pelo governo como risco inerente ao negócio. Para a Associação Brasileira das Empresas Geradoras de Energia Elétrica (Abrage), esse cenário já compromete o equilíbrio econômico do setor. Com os reservatórios em queda, o buraco pode chegar a R$ 25 bilhões em 2015. "Precisamos buscar uma saída urgente para mitigar o impacto", diz o presidente da Abrage, Flávio Neiva. Esse déficit pode piorar com as medidas de redução voluntária do consumo que o governo prepara. Ao acionar geradores de estabelecimentos comerciais, ou pedir para que a população faça economia, o objetivo é poupar água das represas, diminuindo a intensidade de acionamento das hidrelétricas. O plano pode até funcionar como um antídoto contra o agravamento da crise de abastecimento, mas tem um efeito colateral: menos turbinas produzindo energia significam um déficit ainda maior na geração das hidrelétricas, sem que haja nenhum tipo de compensação aos donos das usinas. "Para nós, a racionalização é o pior dos mundos", diz Neiva. (Valor Econômico – 06.02.2015)
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