Notícias do setor
11/03/2015
Forte aumento das tarifas deve conter o consumo

A tese de que a combinação de fortes altas de tarifas com atividade econômica em contração vai ter efeitos sobre o consumo de energia vem ganhando mais adeptos entre especialistas. Nos 12 meses encerrados em fevereiro, a energia elétrica residencial já subiu 30,27%, segundo o IPCA. Economistas estimam, porém, que até o fim do ano esse aumento pode superar a impressionante marca de 60%, com aumento da taxa extra associada à aplicação da bandeira vermelha e autorização de reajustes extraordinários para as distribuidoras. Ainda que a demanda por energia não seja muito sensível ao preço, um aumento dessa magnitude deve ser suficiente para reduzir o consumo em até 10% por unidade, argumentam. Em fevereiro, o consumo caiu 2,8%, na comparação com fevereiro do ano passado, segundo dados do ONS. Na comparação com janeiro, a queda foi de 2,5%. Segundo o ONS, o recuo foi provocado pelos feriados do Carnaval e por temperaturas inferiores às registradas em fevereiro de 2014. Para Mário Mesquita, sócio do Banco Brasil Plural e ex-diretor de Política Econômica do Banco Central, há certo consenso que a elasticidade entre preço e consumo de energia elétrica é baixa. "Só que, quando a tarifa sobe 60%, o impacto passa a ser relevante", afirma. O Brasil Plural estimava que o aumento da conta de luz neste ano ficaria em torno de 40%, mas diante dos reajustes recentes, está revisando o cenário. Mesquita avalia que o efeito da alta de preços, combinado com uso mais intensivo das térmicas e chuvas na média histórica podem atenuar os riscos, mas seu cenário ainda conta com algum tipo de medida para restringir a demanda. "Vale ressaltar que fazer o ajuste via preço, do ponto de vista microeconômico, é mais eficiente do que impor restrições quantitativas para diferentes grupos de consumidores". Alessandra Ribeiro, da Tendências, calcula que a cada 1% de alta da conta de luz, o consumo cai entre 0,15% e 0,20%, o que é uma razão baixa. Porém, a alta da tarifa no ano deve ser de 68%, estima. Pelas simulações da Tendências, se as chuvas ficarem em torno de 85% da média histórica até abril, o racionamento pode não ser necessário, considerando o cenário de preços e a projeção de contração de 1,2% da economia. (Valor Econômico – 10.03.2015) 

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