Notícias do setor
11/03/2015
A conta da energia elétrica não fecha

 

EDITORIAL. “A conta da energia elétrica não fecha”. O Estado de São Paulo. São

Paulo, 10 de março de 2015.

Os consumidores de energia já estão pagando contas substancialmente mais

elevadas para ter acesso à eletricidade. Essas contas foram reajustadas em janeiro

e novamente neste mês, mas nem assim as empresas do setor conseguiram chegar

ao equilíbrio financeiro, tantos foram os malabarismos contábeis a que foram

submetidas nos últimos meses.

Em meados da semana passada, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, chamou 13

bancos para uma conversa e pelo menos 4 entre eles Bradesco,

Itaú, Santander e

Banco do Brasil teriam

aceitado o pedido para fazerem uma nova operação de

socorro às distribuidoras de energia, de R$ 3,1 bilhões. Parece arriscado supor que

será o último empréstimo para pôr fim às consequências da mudança do modelo

elétrico.

Cabe lembrar que já ocorreu o desmanche desse modelo que prometia a modicidade

tarifária. Em 2014, dezenas de bilhões de reais foram aportados às empresas do

setor (falouse

em R$ 66 bilhões, no segundo semestre, mas a conta continuou

subindo). Além de exaurir fundos públicos como os da Conta de Desenvolvimento

Energético (CDE), outros R$ 17,8 bilhões foram tomados por empréstimo nos

bancos pelas distribuidoras. Agora, além do novo empréstimo, o governo propõe a

dilatação dos prazos de pagamento das dívidas antigas, que começam a vencer em

novembro, estendendo de dois a cinco anos os prazos de vencimento.

O que fica claro é que os aumentos impostos aos consumidores mostramse

insuficientes. E não foram poucos: uma bandeira tarifária, hoje de R$ 5,50 por 100

kWh consumidos, é aplicada sobre as contas para pagar as térmicas que operam a

todo vapor. Além da correção anual e das revisões periódicas, um reajuste médio

extraordinário de 23,4% entrou em vigor neste mês. E uma triagem está sendo feita

no programa Tarifa Social, para excluir milhões de famílias do benefício.

Em resumo, ainda não chegou para os consumidores a totalidade dos aumentos do

preço da energia. As negociações com os bancos envolverão mais juros e estes

serão incorporados às contas. O custo da energia aumentou 3,14% e foi o que mais

pressionou o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de fevereiro. Essa

situação se repetirá neste mês, segundo especialistas.

Ainda mais grave seria um aumento da inadimplência no setor energético, se a conta

não puder ser paga pelas famílias.

 

 

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