O Credit Suisse revisou suas estimativas para as ações de energia elétrica, diante das incertezas em relação ao cenário para as chuvas e de um potencial racionamento. Nesse contexto, o banco elevou a recomendação para as ações da Energias do Brasil e da Tractebel de "neutra" para "compra" e rebaixou a indicação para os papéis da Cemig e da Taesa para "venda". Apesar de considerar o corte compulsório da demanda "prudente" para garantir o abastecimento futuro, o Credit acredita que a medida não deverá ser anunciada pelo governo neste ano. Nesse cenário, a principal preocupação do banco diz respeito ao déficit de geração hídrica. Pelas regras do setor, a diferença entre as garantias físicas das usinas hidrelétricas e a energia que elas são efetivamente capazes de despachar é liquidada no mercado de curto prazo e rateada entre todos os empreendimentos que compõem o sistema, numa conta que chegou a mais de R$ 20 bilhões em 2014. Na avaliação do Credit, esse déficit deve ficar em 15% neste ano, acima do patamar de cerca de 12% de 2014, e deve seguir como uma preocupação em 2016, dada a expectativa de saturação dos reservatórios sem o racionamento e um novo cenário hidrológico adverso. O banco aponta, contudo, que as incertezas em relação ao quadro de curto prazo escondem boas oportunidades de valor num horizonte mais longo. Segundo a equipe de análise, diante dos maiores riscos percebidos pelo setor e da necessidade de ampliar a matriz energética, a curva de preços de energia elétrica deve subir no longo prazo, criando boas oportunidades para geradoras. Além disso, o aumento nas taxas mínimas de retorno tanto para distribuidoras quanto para transmissoras devem se traduzir em melhor rentabilidade também para esses dois segmentos. A mudança de recomendação para as ações da Tractebel de "neutra" para "compra" vai nesse sentido. O Credit acredita que a geradora é uma das mais bem posicionadas para se beneficiar do aumento dos preços da energia no médio e longo prazo. O preço-alvo estimado para as ações ordinárias da companhia em 12 meses é de R$ 38. No caso da Energias do Brasil, que também foi elevada para "compra", a percepção do banco é que as ações estão entre as mais baratas do setor em relação ao seu potencial. (Valor Econômico – 17.03.2015)
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