Notícias do setor
24/03/2015
Desvalorização efetiva do real é menor e complica ajuste externo

A mudança no patamar do dólar no mercado doméstico começa a afetar positivamente o custo de produção e os salários e pode ajudar exportadores. A "ajuda" para a economia real, contudo, pode ser menos intensa que em outros momentos porque outras moedas também estão mais competitivas e o Brasil ficou muito mais caro nos últimos anos, dizem economistas. A desvalorização efetiva do real em relação a uma cesta de moedas está mais fraca do que no ciclo de 2001 e 2003 quando o Brasil conseguiu fazer um importante ajuste nas suas contas com o exterior. Naquela oportunidade, mais de 60% da desvalorização nominal do câmbio se transformou em um ajuste real da taxa de câmbio. O saldo em conta corrente passou de déficit de 4,2% do PIB em 2001 para superávit de 0,75% do PIB em 2003. No atual ciclo de desvalorização cambial, por enquanto, a proporção de câmbio nominal que está se transformando em real está em torno de 50% porque a inflação brasileira "comeu" um pedaço maior da mudança nominal do câmbio. Além desse fato, as moedas de outros países também estão mais fracas com relação ao dólar, o que afeta diretamente a competitividade do Brasil em terceiros mercados e aumenta a concorrência no mercado americano. Um exemplo da competição mais aguerrida pode ser medido pelo salário mínimo. No auge de sua valorização em relação a outras moedas, em janeiro de 2012, um salário mínimo comprava 347 dólares ou 270 euros. Agora em março, o salário mínimo comprava 254 dólares, 27% menos. Em relação ao euro, o poder de compra do mínimo caiu menos (12%) e na média de março permitiu comprar 235 euros. Se para as famílias brasileiras, o poder de compra caiu mais em dólares e menos em euros, para quem paga salários, o custo em dólar caiu mais, mas em euros a redução ainda é pequena. (Valor Econômico – 23.03.2015) 

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