Embora a situação dos reservatórios do País tenha melhorado nas últimas semanas, a chance de o Brasil enfrentar um novo racionamento de energia não está completamente afastada, segundo especialistas, ainda que o governo já preveja queda no consumo este ano. Como a indústria já vem consumindo menos, a missão de economizar será do comércio e, principalmente, das residências. Cumprir essa tarefa, porém, não será fácil. Na comparação com o racionamento de 2001, deve mexer muito mais com o conforto dos brasileiros. De lá para cá, o poder de compra da população aumentou e a quantidade de eletrodomésticos em casa também. A Associação Brasileira de Serviços de Conservação de Energia (Abesco) estima que as residências precisariam cortar pelo menos 20% de seu consumo anual para dar um alívio ao sistema elétrico. Caso seja concretizado, seria uma redução mais intensa do que há 14 anos, quando a queda da demanda nas casas foi de cerca de 12%. Além disso, especialistas comentam que os ganhos de eficiência nos equipamentos deixam a margem de economia ainda menor. O Instituto Ilumina acredita que os brasileiros não conseguirão conter a demanda como fizeram em 2001, seja por meio de corte ou do uso consciente, por conta da eficiência dos aparelhos e da menor disposição em sacrificar seu conforto. Segundo dados do IBGE, compilados pelo Instituto Data Popular, apenas um terço das residências tinha máquina de lavar em 2001. Doze anos depois, a fatia chegou a 58%. A posse de geladeira e de TV em cores também aumentou, atingindo 97% em 2013. Ainda que a pesquisa não aponte o número de lares com ar-condicionado, os indicadores de produção dão uma dimensão. Entre 2005 e 2012, a produção mais que dobrou, atingindo 3,5 milhões de unidades. O item é considerado o vilão do elevado consumo de energia hoje. (O Estado de São Paulo – 04.04.2015)
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