Nos primeiros três meses deste ano, os preços administrados subiram 8,47% e responderam sozinhos por mais da metade da inflação medida pelo IPCA. Como a maior parte do aumento dos itens monitorados já entrou na inflação (80% da correção esperada para energia já aconteceu e transportes públicos sobem na maioria das capitais no começo de cada ano), os índices mensais devem sair do patamar de 1,2% do primeiro trimestre para média inferior a 0,5% nos próximos nove meses. A trajetória da inflação, dizem os economistas, passa a ser definida pela "disputa" entre dólar em alta e commodities em baixa, assim como a atividade econômica mais fraca. No atacado, as pressões do impacto do dólar já neutralizaram a ajuda benigna que as commodities vinham dando aos preços. Para analistas, esse movimento deve ser observado nos próximos meses no varejo, embora a inflação geral deva desacelerar com a saída da maior parte do "tarifaço" e perda de fôlego de alimentos in natura e combustíveis. O minério de ferro acumula queda de 40% em 12 meses, mas subiu 1,93% em abril, na primeira prévia do IGP-M. Na área agrícola, um exemplo é trigo, com queda de 23,8% em 12 meses, mas que subiu 3,81% na prévia de abril. A inflação dos preços dos bens que podem ser comercializados com o exterior está acumulada em 5,69% em 12 meses, bem abaixo do que aconteceu com o câmbio nesse período. O repasse cambial vai limitar a descompressão prevista para o IPCA de abril a junho, mas o dólar não vai se sobrepor à sazonalidade inflacionária mais favorável. O indicador pode avançar, em média, 0,48% ao mês no segundo trimestre. Terão influência nesse alívio, além da saída de boa parte dos reajustes de tarifas públicas, o comportamento mais tranquilo dos preços de alimentos, cuja inflação mensal superou 1% no primeiro trimestre, em média, e a entrada da safra da cana-de-açúcar, que derruba os preços de etanol e também puxa para baixo a gasolina nas bombas. (Valor Econômico – 13.04.2015)
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